Foi mais uma notícia que surgiu como uma bomba no meio do heavy metal: Dave Mustaine anunciou que, por conta de alguns problemas de saúde, o Megadeth vai encerrar atividades. De disco novo na praça e em meio a uma turnê mundial que promete ser longa, nem poderia ser diferente: fomos atrás do vocalista/guitarrista para discutir o momento atual da banda e aprofundar as razões que levaram a essa decisão, além de saber tudo sobre o novo disco e o que ele representa por se tratar do último da trajetória da banda.
Uma nova investigação pode dar uma reviravolta no caso da morte de Kurt Cobain! Uma equipe não oficial de cientistas forenses do setor privado conduziu recentemente sua própria apuração da autópsia e das fotos da cena do crime, sugerindo que suas conclusões não condizem com uma morte instantânea por arma de fogo.
Vale lembrar que, de acordo com o Instituto Médico Legal do Condado de King, o líder do Nirvana cometeu suicídio no dia 05 de abril de 1994.
E quem entrou no assunto foi Neil Low, ex-capitão da Polícia de Seattle! O policial, que trabalhou na departamento de polícia de Seattle por 50 anos e pendurou o chapéu em 2018, acredita que Kurt Cobain foi assassinado e defende a reabertura do caso.
Em conversa com o jornal Daily Mail, Neil contou que não participou das investigações na época, mas seu chefe lhe pediu que auditasse o caso em 2005.
“Eu simplesmente não acredito que Kurt tenha feito isso consigo mesmo”, disse Low. “Eu acredito que a investigação inicial foi mal conduzida e forjada para parecer um suicídio”.
Ele alegou que havia anormalidades nas evidências de sangue e inconsistências entre o laudo da autópsia e os relatórios policiais, como anotações faltantes e detalhes conflitantes sobre o que aconteceu antes da morte do roqueiro.
“Um dos problemas na elaboração de relatórios é o fator erro humano como mal-entendidos, pensamentos trocados e detalhes esquecidos”, pontuou.
“Eles foram induzidos ao erro. Eu também poderia ter acreditado nisso, mas agora acho que foi um homicídio e acredito que o caso deva ser reaberto. Li o caso e posso dizer o que as evidências indicam, porque era o que eu fazia para viver, e elas dizem que não foi suicídio”, acrescentou.
Neil também apontou outros pontos que considera incompatível com o veredito das autoridades na época em que aconteceu o caso.
“O impacto de um tiro de espingarda a curta distância é muito forte! Ele produz um respingo de sangue significativo, grande, no entanto, neste caso, o respingo foi pouco. Além disso, a heroína que foi encontrada no organismo de Cobain – cerca de três vezes a dose letal – ia dificultar o manuseio de uma espingarda por ele sozinho”.
Mesmo com a novas informações em torno do caso, as autoridades de Seattle emitiram uma nota informando estão sempre abertas a rever suas conclusões caso novas evidências surjam. Mas até o momento, eles destacaram que não encontraram nada que justifique a reabertura deste caso.
Após o anúncio original, a turnê brasileira do Left to Die sofreu mudanças na agenda. A apresentação que aconteceria em João Pessoa (PB) saiu do itinerário, entrando shows em Natal (RN) e Aracajú (SE). Na ocasião, o tributo executará na íntegra o álbum "Scream Bloody Gore" (1987), estreia do Death.
O projeto celebra o legado de Chuck Schuldiner, contando com dois ex-membros da banda homenageada, Rick Rozz (guitarra) e Terry Butler (baixo). O baterista Gus Ríos (ex-Malevolent Creation) e o vocalista e guitarrista Matt Harvey (Exhumed, Gruesome) completam a formação. O roteiro completo pela América do Sul e México pode ser conferido no cartaz abaixo.
O giro é uma promoção da agência Open the Road. Informações sobre ingressos e locais dos shows serão divulgados posteriormente.
Como definir um clássico? Um álbum que mudou a música? Que transformou um estilo inteiro? Que rompeu fronteiras culturais, atravessou décadas sem perder relevância e criou algo que parecia impossível antes de existir? Talvez um verdadeiro clássico seja justamente a soma de tudo isso. E poucos discos na história do heavy metal se encaixam de forma tão precisa nessa definição quanto Roots, lançado em 20 de fevereiro de 1996 pelo Sepultura.
Trinta anos depois, o álbum não é apenas lembrado — é reverenciado como um divisor de águas. Não apenas na trajetória da banda brasileira, mas na própria evolução do metal como linguagem artística global. Um disco que redefiniu identidades, ampliou possibilidades sonoras e mostrou que a música pesada podia dialogar com tradição, cultura e espiritualidade sem perder um grama de sua brutalidade.
Quando Roots chegou ao mundo pela gravadora Roadrunner Records, o Sepultura já era uma potência internacional. A trajetória iniciada em Belo Horizonte havia se transformado em um fenômeno global com álbuns como Beneath the Remains (1989), Arise (1991) e Chaos A.D.(1993), trabalhos que consolidaram o grupo como um dos nomes mais respeitados do metal pesado. Muitos fãs ainda os consideram os pontos mais altos da discografia — mas não se pode ignorar os embriões de tudo: Bestial Devastation (1985), Morbid Visions (1986) e o salto para o início ao estrelato em Schizophrenia (1987).
Mas Roots não foi apenas uma continuação dessa ascensão — foi uma ruptura total de linguagem. Foi o momento em que a banda deixou de expandir seu som para reinventá-lo completamente.
O impacto foi imediato. O álbum elevou o grupo formado por Max Cavalera (vocal/guitarra), Andreas Kisser (guitarra), Paulo Jr. (baixo) e Igor Cavalera (bateria) ao auge comercial e simbólico, transformando o Sepultura em uma das maiores bandas de metal do planeta e, ao mesmo tempo, no maior nome da música brasileira no exterior naquele momento. O trabalho conquistou disco de ouro nos Estados Unidos — um feito raríssimo para uma banda brasileira de metal — e consolidou uma presença global que nenhuma outra banda do hemisfério sul havia alcançado.
Mas o verdadeiro impacto do disco não pode ser medido apenas em vendas ou turnês. Ele nasce da ideia que o sustenta.
…::: A VOLTA ÀS ORIGENS QUE MUDOU O FUTURO DO METAL :::…
A criação do álbum Roots nasceu de um momento de transformação profunda — musical, cultural e pessoal — dentro da banda. Mais do que um novo capítulo em sua discografia, o trabalho representou uma ruptura consciente com o passado e redefiniu não apenas a identidade do grupo, mas também o rumo do metal mundial na década de 1990.
Após o sucesso internacional de Chaos A.D., o grupo — especialmente Max Cavalera — passou a refletir com maior intensidade sobre suas origens brasileiras. A proposta era clara: não bastava soar como uma banda brasileira tocando metal; era preciso criar um som que carregasse, de forma autêntica, a essência cultural do país. Essa busca levou o Sepultura a mergulhar profundamente em ritmos tribais, percussões tradicionais e referências históricas e espirituais do Brasil.
A banda decidiu que não bastava usar esses elementos como inspiração estética — era necessário vivê-los. Antes mesmo das gravações, os músicos passaram dias imersos na cultura da tribo indígena Xavante, no Mato Grosso. Durante três dias de convivência intensa, participaram de rituais, cantos e experiências coletivas profundamente ligadas à ancestralidade dos povos originários. Não se tratava de uma simples pesquisa musical, mas de uma vivência transformadora que redefiniu completamente a forma como o álbum seria concebido.
A música passou a ser entendida como energia coletiva, pulsação física e manifestação espiritual. Essa percepção alterou não apenas a sonoridade, mas a própria filosofia criativa do projeto. Quando as gravações começaram entre outubro e dezembro de 1995, no Indigo Ranch Studios, na Califórnia, a banda já não buscava apenas registrar músicas — buscava canalizar uma experiência ritualística.
A escolha do produtor Ross Robinson foi decisiva nesse processo. Conhecido por trabalhos com bandas que ajudavam a moldar o som pesado e visceral da época, como Korn, Robinson incentivou performances emocionais, intensas e quase físicas em estúdio. Sua abordagem priorizava sentimento acima da precisão técnica, encorajando a banda a tocar como se participasse de um ritual, não apenas de uma sessão de gravação. O resultado foi um som orgânico, brutal e tribal, distante da precisão thrash que marcava os discos anteriores.
Paralelamente, o Sepultura absorvia o clima musical dos anos 90. Amizades e turnês com bandas como Fear Factory, Korn e Pantera ampliaram seu horizonte sonoro, contribuindo para riffs mais diretos e pesados, maior foco no ritmo e na percussão, vocais mais primais e uma atmosfera densa e ritualística — elementos que dialogavam com o groove metal e com o nascente nu metal.
Outro fator determinante foi a participação de Carlinhos Brown, cuja presença ampliou drasticamente a dimensão rítmica do álbum. Suas contribuições introduziram percussões afro-brasileiras, texturas orgânicas e estruturas tribais que transformaram o groove metal em algo quase visceral — decisão que, embora tenha causado estranhamento entre fãs mais conservadores, foi essencial para a identidade única do disco.
Musicalmente experimental, o álbum também assumiu um forte caráter político e social. Suas letras abordam colonização e opressão cultural, identidade indígena, destruição ambiental, espiritualidade e ancestralidade. Mais do que um lançamento musical, tornou-se um manifesto artístico e cultural.
O resultado final foi uma obra paradoxal e revolucionária: ao mesmo tempo primitiva e futurista, brutal e espiritual, moderna e ancestral — um retorno às origens que, paradoxalmente, redefiniu o futuro do metal.
::: ESTRUTURA MUSICAL: UM RITUAL EM FORMA DE ÁLBUM :::…
Com 16 faixas e mais de 70 minutos de duração, Roots é o trabalho mais expansivo e conceitualmente ambicioso do Sepultura. O disco incorpora gravações ambientais, percussões coletivas, experimentações acústicas, participações indígenas diretas, instrumentais atmosféricos e até uma longa faixa oculta final — “Canyon Jam” — baseada em improvisação percussiva em ambiente natural. Trata-se de um álbum totalmente concebido para ser uma experiência sonora imersiva. O impacto cultural do trabalho se materializa em faixas que se tornaram marcos definitivos do metal moderno.
No coração do disco, cada faixa cumpre um papel específico na construção de uma experiência sonora que alterna agressividade, ritual, introspecção e experimentação — e foi justamente essa diversidade que levou a crítica internacional a tratar a obra como um lançamento revolucionário dentro do metal.
A jornada começa com “Roots Bloody Roots”, construída sobre um dos riffs mais icônicos do metal moderno. A faixa impressiona por sua força hipnótica e simplicidade devastadora, sendo frequentemente apontada como exemplo perfeito de como peso e identidade cultural podem coexistir com impacto imediato. Com toda certeza, é considerada por muitos uma das melhores faixas de abertura da história do gênero — e presença obrigatória nos shows da banda desde então. Não por acaso, tornou-se um hino absoluto do metal: alcançou o topo das paradas de rock e metal no Reino Unido e ajudou a impulsionar o álbum ao Top 5 britânico.
Na sequência, “Attitude” traz intensidade física e um groove esmagador. A energia quase corporal da faixa pode ser comparada a uma pulsação rítmica que se aproxima mais de uma experiência sensorial do que puramente musical. Trata-se de uma das composições mais diretas e eficazes do álbum, exibindo a força física e agressiva do disco em estado bruto. A música também ganhou um videoclipe ambientado em combate de vale-tudo, com participação do ator Danny Trejo e de toda família Gracie, criadora do Jiu-Jitsu brasileiro e fundadora do UFC: Royce, Hélio, Rorion, etc.
“Cut-Throat”, com seu caráter explosivo e urbano, apresenta tensão constante e uma forte sensação de urgência, funcionando como um retrato do lado mais agressivo, pesado e confrontador da banda naquele período. Com o tempo, consolidou-se como uma das favoritas entre os fãs mais antigos.
Com “Ratamahatta”, a recepção na época entrou em território de fascínio absoluto — embora também tenha provocado reações completamente antagônicas em parte do público. Ainda assim, trata-se de uma das faixas experimentais mais ousadas já registradas no metal mainstream, combinando percussão tribal, caos rítmico e atmosfera surreal. O videoclipe tornou-se um verdadeiro fenômeno audiovisual graças à animação em stop-motion, exibido exaustivamente na MTV dos anos 90 e amplamente considerado um dos mais criativos já produzidos no Brasil.
“Breed Apart” chama atenção pelo clima sombrio e pela construção lenta de tensão. Sua atmosfera inquietante, aliada à forma como a banda manipula peso e espaço sonoro para criar desconforto emocional, produz um efeito quase catártico.
Já “Straighthate” é um dos momentos mais violentos do disco — brutal até mesmo para os padrões do Sepultura, com intensidade vocal extrema e agressividade implacável na execução. Vale destacar que sua letra funciona praticamente como uma continuação temática de “Innerself”, de Beneath the Remains.
O minimalismo opressivo de “Spit” surge como um exercício de repetição hipnótica que amplifica a sensação de peso psicológico, enquanto “Lookaway”, com participações de Mike Patton (Faith No More), Jonathan Davis (Korn) e DJ Lethal (House Of Pain), apresenta uma densidade emocional intensa e atmosfera quase claustrofóbica, sendo frequentemente considerada uma das faixas mais perturbadoras do álbum.
A brutalidade direta e o groove sem ornamentos de “Dusted” representam uma das expressões mais puras da agressividade do disco. Já “Born Stubborn”, com sua construção rítmica tribal marcante, figura como uma das fusões mais bem-sucedidas entre percussão tradicional e metal pesado.
A instrumental “Jasco” oferece uma sensibilidade singular e promove uma quebra deliberada de expectativa. Com seu violão dedilhado e clima intimista, funciona como um momento de respiração contemplativa dentro de um álbum dominado por intensidade extrema.
Um dos pontos mais celebrados do disco é “Itsári”, que significa “raízes” na língua Xavante e representa o núcleo espiritual do projeto. Sua autenticidade cultural e sua força simbólica quase palpável fazem dela um dos exemplos mais respeitosos e impactantes de integração entre música indígena e metal. Talvez seja também o momento mais simbólico do álbum, trazendo a participação direta da própria tribo Xavante — uma fusão literal entre tradição indígena e metal extremo raramente vista em um lançamento de alcance global.
A agressividade retorna em “Ambush”, que mantém a energia combativa que percorre todo o álbum, enquanto “Endangered Species” amplia o alcance temático com um tom épico que reforça a crítica social e ambiental.
A curtíssima e arrasadora “Dictatorshit” surge como uma descarga concentrada e deliberada de fúria hardcore, admirada por sua intensidade crua e imediata.
Encerrando a jornada, a faixa oculta “Canyon Jam” apresenta um final ousado e quase antropológico. Não se trata de música no sentido convencional, mas de um registro ritualístico coletivo — uma experiência sonora que dissolve as fronteiras entre performance, ambiente e espiritualidade, transportando o ouvinte, de forma sensorial, para um cenário que evoca a imersão em um ambiente de selva nativa.
: ALÉM DAS RAÍZES: OS B-SIDES QUE EXPANDIRAM O UNIVERSO SONORO DE ‘ROOTS’ :::…
O sucesso internacional do Sepultura não se limitou apenas ao conteúdo do álbum em si. O ciclo promocional foi acompanhado por uma série de singles que trouxeram faixas extras — os chamados b-sides — que ampliaram ainda mais o alcance estético do projeto e revelaram facetas complementares da banda naquele momento criativo particularmente ousado.
Entre os registros mais celebrados está “Procreation of the Wicked”, cover da cultuada banda suíça Celtic Frost. A escolha não foi casual: o grupo sempre reconheceu a influência do metal extremo europeu em sua formação musical, e a interpretação reforça essa ligação histórica com o underground dos anos 80, executada com produção moderna e peso ainda mais massivo.
Outro destaque é “Symptom of the Universe”, das sessões de Chaos A.D., homenagem direta aos pioneiros do heavy metal, o Black Sabbath. A versão do Sepultura enfatiza a agressividade rítmica e o groove, aproximando o clássico setentista da linguagem sonora densa que caracterizou a fase Roots. Para muitos fãs e críticos, trata-se de uma das releituras mais intensas já feitas de uma composição da banda britânica.
A ousadia estética aparece ainda mais evidente em “Mine”. Aqui, o Sepultura mergulha no universo do trip hop e da música eletrônica atmosférica, incorporando texturas sombrias e minimalistas, junto a um peso caótico. A gravação contou com a participação também de Mike Patton, ampliando o caráter experimental da faixa e reforçando o diálogo da banda com sonoridades fora do metal tradicional.
Outro registro marcante é “War”, composição de Bob Marley, onde banda preserva a mensagem política e humanista da versão original, mas a reveste de uma atmosfera mais densa e tensa, demonstrando como o discurso do reggae político pode ganhar nova dimensão dentro de uma abordagem metálica.
Além dessas releituras, alguns singles também trouxeram versões alternativas, demos (inclusive faixas que não foram usadas no álbum), remixes e registros ao vivo de faixas do próprio repertório da banda gravados na turnê de Chaos A.D., — documentos sonoros que ajudam a compreender a energia do grupo naquele período e a forma como o material era reinterpretado no palco ou em experimentações de estúdio.
Em conjunto, os b-sides da era Roots funcionam como um complemento essencial para entender o momento artístico do Sepultura na segunda metade dos anos 1990. Eles revelam uma banda em plena expansão estética, transitando entre metal extremo, música eletrônica, reggae, punk e rock brasileiro com a mesma naturalidade com que explorava percussões tribais e texturas experimentais no trabalho principal. Esses registros ajudam a mapear a amplitude de referências e a coragem criativa que transformaram aquele período em um dos mais influentes de toda a história do metal.
…::: A CRÍTICA MUNDIAL: O ÁLBUM QUE REINVENTOU O METAL :::…
Desde o lançamento, a imprensa internacional e os fãs de metal reconheceram que algo extraordinário havia acontecido, mesmo que muitos insistissem que não por puro preconceito.
O Los Angeles Times descreveu a fusão entre metal e música brasileira como “intoxicante”. A Rolling Stone apontou que o disco representava uma descarga sonora brutal capaz de revitalizar um gênero que precisava de novos caminhos.
Com o tempo, o reconhecimento tornou-se institucional. A Kerrang! colocou o álbum entre os discos essenciais do rock pesado. A Q Magazine listou-o entre os mais pesados de todos os tempos e a Decibel Magazine o introduziu em seu Hall da Fama.
O historiador do heavy metal Martin Popoff classificou o trabalho entre os maiores álbuns do gênero em todos os tempos, destacando sua ambição artística e caráter visionário.
Na imprensa brasileira, o álbum foi recebido de forma amplamente positiva, ainda que tenha provocado debates entre setores mais conservadores do público e da crítica especializada. De modo geral, o trabalho foi visto como um marco artístico ousado, inovador e culturalmente relevante, não apenas para a trajetória do Sepultura, mas para a projeção internacional do metal produzido no Brasil.
A revista Bizz destacou o caráter revolucionário da obra e sua forte identidade cultural, valorizando a fusão entre o peso do metal e elementos musicais brasileiros em uma proposta inédita em escala global. Já a tradicional Rock Brigade ressaltou a intensidade sonora, a originalidade e a coragem criativa do grupo, reconhecendo o disco como um passo arriscado — porém fundamental — na evolução da banda.
A ShowBizz enfatizou o aspecto conceitual e cultural do trabalho, tratando-o como uma obra que ampliava os limites do metal ao incorporar a identidade brasileira de forma profunda e estrutural. A repercussão também ganhou força na programação e na cobertura editorial da MTV Brasil, que tratou o lançamento como um evento de relevância internacional, reforçando seu impacto artístico e simbólico.
A Rolling Stone Brasil o reconheceu como um dos álbuns mais importantes já produzidos no país. Com o passar do tempo, a importância do álbum foi reafirmada em análises e retrospectivas publicadas pela Roadie Crew, que passou a reconhecê-lo como um divisor de águas do metal brasileiro e mundial. Assim, mesmo diante de algumas reações inicialmente divididas, o consenso crítico no país consolidou o disco como uma obra histórica e transformadora.
O consenso crítico atravessou décadas: o Sepultura não apenas inovou — reinventou, remoldou e levou os limites do metal às alturas.
…::: O AUGE… E O FIM DE UMA ERA :::…
O sucesso global foi imediato. O álbum alcançou posições expressivas nas paradas internacionais, consolidou o Sepultura como gigante mundial do metal e gerou uma turnê intensa e extensa.
Reino Unido (UK Albums Chart) — #5 Austrália (ARIA Charts) — #4 Estados Unidos (Billboard 200) — #27 Alemanha (Offizielle Top 100) — #6 Suécia (Sverigetopplistan) — #6 Holanda (Album Top 100) — #8 Suíça (Schweizer Hitparade) — #8 Áustria (Ö3 Austria Top 40) — #13 França (SNEP Albums Chart) — #13 Nova Zelândia (Recorded Music NZ) — #5
Certificações importantes: Estados Unidos — Disco de Ouro (RIAA) Mais de 500 mil cópias vendidas.
O álbum recebeu certificação de Disco de Ouro no Brasil, concedida pela Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD), comprovando o forte desempenho comercial no mercado doméstico.
Mas poucos meses depois do lançamento, o vocalista e fundador Max Cavalera deixaria a banda por razões até hoje questionáveis por ambas as partes, encerrando a formação clássica responsável pela ascensão meteórica do grupo. Para muitos fãs, Roots tornou-se o canto do cisne de uma fase criativa que nunca mais se repetiria.
Por trás do sucesso meteórico de Roots, tensões internas vinham se acumulando. Parte dos conflitos girava em torno da gestão da banda, então conduzida por Gloria Cavalera, esposa de Max e empresária do grupo. Divergências sobre decisões administrativas e profissionais passaram a gerar atritos entre os integrantes.
O ponto de ruptura aconteceu durante a turnê de Roots, mais precisamente antes da banda se apresentar no festival Donington, em Londres, após a morte trágica de Dana Wells, enteado de Max e filho de Gloria, em um acidente de carro nos Estados Unidos. Max e Glória precisaram voar de volta aos Estados Unidos, num jatinho emprestado por Ozzy Osbourne, e a banda como um trio se apresentou aos trancos e barrancos, cheio de convidados escolhidos às pressas e com Andreas acumulando a posição também de vocalista. A perda de Dana abalou profundamente o vocalista, que se afastou temporariamente das atividades da banda.
Segundo relatos da época, durante esse período de luto, os demais integrantes decidiram que Gloria deveria deixar de exercer a função de empresária do grupo. Para Max, a decisão foi interpretada como falta de apoio em um momento extremamente delicado, além de uma quebra de confiança.
Em dezembro de 1996, após reuniões tensas e sem acordo entre as partes, Max Cavalera deixou oficialmente o Sepultura. A separação foi imediata e definitiva. Um verdadeiro abalo sísmico no mundo do metal.
A banda seguiu em frente com nova formação e novo vocalista, enquanto Max iniciou uma nova trajetória artística ao fundar o Soulfly em 1997, projeto que lhe permitiu continuar explorando a fusão entre metal, elementos tribais e influências culturais diversas — uma das marcas de sua fase final no Sepultura.
O episódio permanece como um dos rompimentos mais emblemáticos da história do gênero — não apenas pelo peso artístico envolvido, mas também pelo impacto emocional, humano e cultural que cercou a separação.
Três décadas depois, a ruptura continua sendo um dos momentos mais debatidos entre fãs e historiadores do metal, simbolizando o fim de uma era e o início de novos caminhos que, de formas distintas, continuam moldando o legado de todos os envolvidos.
::: O LEGADO PERMANENTE :::…
O impacto de Roots foi profundo e duradouro. Mais do que um sucesso artístico ou comercial, o disco ajudou a redefinir parâmetros dentro da música pesada, abrindo caminho para o nu metal, legitimando a fusão entre metal e identidades culturais locais, ampliando o uso de percussão orgânica no gênero e demonstrando que o peso extremo podia coexistir com dimensões ritualísticas, políticas e profundamente humanas.
Três décadas depois, o álbum continua sendo estudado, celebrado e debatido como um dos momentos mais ousados da história do metal. Sua relevância não se limita ao contexto de sua época: permanece como referência de experimentação, autenticidade cultural e transformação estética.
Poucos discos conseguem, ao mesmo tempo, mudar os rumos de um gênero, representar uma identidade cultural, marcar uma geração inteira e permanecer vivos no imaginário coletivo décadas após o lançamento. Este é um dos raros casos em que tudo isso aconteceu simultaneamente.
Não foi apenas o auge comercial de uma banda. Foi o encontro entre tradição e modernidade, entre identidade e ruptura, entre música e experiência humana. Talvez seja exatamente isso que define um clássico. E é por isso que, 30 anos depois, o álbum continua não apenas sendo ouvido — mas sentido.
Só fico pensando: o que esses caras poderia ter feito se estivessem juntos até hoje?
Pelas redes sociais a ex-vocalista e empresária Angela Gossow encheu Lauren Hart de elogios. A norte-americana foi anunciada como substituta de Alissa White-Gluz no Arch Enemy, após doze anos de parceria com o grupo sueco.
“É minha irmã do coração. Uma pessoa muito calorosa e genuína. Nós compartilhamos o mesmo gosto musical, a mesma técnica vocal e a mesma dedicação à música, às pessoas e ao fitness. Nos conhecemos pessoalmente há muitos anos.
Acompanhei a trajetória dela com o Once Human, torcendo pelo seu sucesso. Depois, cruzei os dedos para que ela entrasse em outra banda de metal famosa. Não deu certo. Mas ela nunca desistiu”.
Angela continuou: “Eu estava pensando em montar uma nova banda para ela – algo como uma mistura de Dimmu Borgir, Arch Enemy, In Flames, Machine Head e Once Human. Eu pedi que ela enviasse várias covers para ter uma ideia completa de suas habilidades vocais, e ela arrasou.
Comecei a procurar músicos que se encaixassem no seu talento. E então as coisas aconteceram no universo do Arch Enemy. Pensei muito em voltar para a banda. Analisei minha vida, minha idade, meus filhos ainda pequenos e a minha carga de trabalho como empresária do Arch Enemy.
E a resposta foi não. Tanto emocional quanto racionalmente. Nós recebemos muitas inscrições de vocalistas incríveis do mundo todo. Apresentei a Lauren aos caras. Michael [Amott, guitarrista fundador do Arch Enemy] entrou em contato”.
“Ela gravou os vocais em dezembro de 2025. Ela renasceu como uma fênix. Muito intensa e muito gloriosa. Ela é a reencarnação de Angela. Superando as minhas habilidades. Ela está pronta para durar décadas. Eu me sinto honrada e grata por trabalhar com ela. Finalmente”, finalizou.
Nesta segunda, 23 de fevereiro, o Rush revelou as datas da América do Sul e Europa em 2027 como parte da turnê de retorno aos palcos chamada “Fifty Something”. A banda não se apresenta no continente europeu desde 2013, e os sul-americanos não veem o grupo por aqui há 17 anos; já dá pra imaginar o tamanho da ansiedade.
A banda começará a vender os ingressos na sexta-feira, 27 de fevereiro, às 10h (horário local), por meio do site oficial que divulgou.
Eles farão 24 apresentações espalhadas por 13 países, todas no formato “uma noite com”. Na prática, isso significa que o trio tocará dois sets completos a cada show. O repertório mudará de cidade para cidade, já que o trio pretende escolher as músicas a partir de um cardápio com mais de 40 faixas — misturando clássicos obrigatórios e outras músicas queridinhas dos fãs.
Para essa nova fase, Geddy Lee e Alex Lifeson dividirão o palco com a baterista alemã Anika Nilles, conhecida pelo trabalho ao lado de Jeff Beck (com quem fez mais de 60 shows) e por seus quatro discos solo. Outra presença confirmada é o tecladista Loren Gold, que já tocou com o The Who e com Roger Daltrey.
Alex Lifeson e Geddy Lee compartilharam a seguinte mensagem com os fãs, ao lado deAnika, em vídeo que publicaram nas redes sociais do Rush:
“Estamos ansiosos para voltar a todas essas cidades onde não tocamos há tanto tempo, além de conhecer alguns lugares novos onde ainda não tocamos. Tanto eu quanto Alex estamos adorando as horas de ensaio que estamos passando com Anika e agora com Loren , aprendendo cerca de 40 músicas, o que nos permitirá manter os shows em constante evolução, tocando músicas diferentes em cada noite. Estamos muito felizes que muitos dos nossos membros de longa data da equipe tenham voltado para nos ajudar a criar o tipo de show do RUSH que os fãs já se acostumaram a esperar de nós. Esperamos sinceramente que vocês venham e nos ajudem a celebrar 50 anos de música do Rush, enquanto prestamos a Neil a homenagem mais do que merecida.”
Em seguida, assista ao vídeo completo e, logo após, confira todas as datas dos shows na América do Sul e Europa:
15/01 – Buenos Aires, AR – Movistar Arena
22/01 – Curitiba, BR – Arena da Baixada
24/01 – São Paulo, BR – Allianz Parque
30/01 – Rio de Janeiro, BR – Estádio Olímpico Nilton Santos (Engenhão)
01/02 – Belo Horizonte, BR – Estádio Mineirão
04/02 – Brasília, BR – Arena BRB Mané Garrincha
19/02- Paris, FR – La Défense Arena
21/02 – Berlin, DE – Uber Arena
23/02 – Amsterdam, NL – Ziggo Dome
25/02 – Munich, DE – Olympiahalle
28/02 – Cologne, DE – LANXESS Arena
02/03 – Hamburg, DE – Barclays Arena
04/03 – Stuttgart, DE – Hanns-Martin-Schleyer-Halle