A entrada de Jéssica Falchi no Korzus virou um dos assuntos mais comentados do metal brasileiro nas últimas semanas. Anunciada na nova formação da banda, a guitarrista resumiu o peso desse momento com uma frase que chamou atenção nas redes: "Existe um abismo de diferença entre ser vista e ser respeitada."
Ao apresentar a nova fase, Jéssica também destacou o significado de passar a integrar um grupo com mais de 40 anos de estrada e agradeceu pelo tratamento recebido. "Obrigada, Korzus, por me respeitarem enquanto guitarrista e pessoa. É especial demais fazer parte dessa nova era", escreveu.
Em entrevista anterior, a própria musicista explicou que a entrada no grupo teve relação direta com a sintonia com Jean Patton, novo parceiro nas guitarras. Segundo ela, a afinidade pessoal e profissional foi decisiva. "A gente viu que bateu muito a forma como a gente trabalha", disse. "Eu acho que é um ponto muito importante essa sinergia entre a banda, entre os membros." A integração foi rápida: além de assumir o posto na formação, Jéssica participou da composição e da direção do clipe de "No Light Within", novo single do Korzus.
Fernand Lira e Jessica Falchi
Quem também celebrou a mudança foi Fernanda Lira, da Crypta, que falou sobre o assunto em entrevista ao Hora do Rock Web. Para a vocalista e baixista, ver Jéssica ocupar esse espaço numa instituição do thrash brasileiro é sinal de renovação real e saudável. "Eu acho esse intercâmbio fantástico", afirmou. "Antes de ser a 'Fernanda da Crypta', eu sou uma headbanger. Como fã, o que eu mais quero é ver o metal bem, se perpetuando e com a chama mais do que acesa."
Fernanda tratou a chegada da guitarrista como um movimento importante não só para o Korzus, mas para toda a cena. Na avaliação dela, há um ganho concreto quando uma banda veterana incorpora músicos de outra geração e volta a se projetar com energia nova. "Ver esse gás novo vindo do Jean e da Jéssica, que são de uma outra geração, trazendo essa energia para uma banda veterana e colocando-a no front de novo, é algo incrível, necessário e muito gratificante", disse.
A líder da Crypta também ressaltou a dimensão simbólica da escolha. Para ela, a presença de Jéssica numa banda historicamente masculina amplia a representatividade feminina dentro do metal extremo e tradicional. "Além disso, tem o fato de ser mais um espaço ocupado por uma mulher indiscutivelmente talentosa", afirmou. "Ver uma mulher ocupando esse posto em uma banda que historicamente sempre teve homens é um passo muito importante para a representatividade."
Na leitura de Fernanda, esse tipo de movimento tem efeito direto sobre o público. Ela acredita que a presença de mais mulheres em posições de destaque ajuda a criar identificação e pertencimento para novas gerações de fãs e musicistas. Por isso, vê a mudança como algo maior do que uma simples troca de formação. "Isso vai significar muito para as meninas que estiverem na plateia do Korzus", declarou.
No fim, a conclusão da cantora é clara: a entrada de Jéssica Falchi no Korzus fortalece todos os lados envolvidos. "Para mim, são apenas vitórias: todo mundo ganha. A Crypta segue seu caminho, o Korzus ganha esse novo fôlego e quem sai ganhando de verdade é a cena brasileira e os fãs."
Fonte: Whiplash.net


