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domingo, 8 de agosto de 2021

A HISTÓRIA POR TRÁS DA CANÇÃO #35: SABATON – PRIMO VICTORIA

 

Olá caros headbangers, bem-vindos a mais um “A História Por Trás da Canção”, quadro esse onde toda segunda-feira você aprende sobre todo o contexto por trás das letras das músicas de Rock/Metal que tanto amamos.

E hoje falaremos mais uma vez de uma banda que nos dar uma verdadeira aula de história a cada música. Obviamente, estamos falando dos suecos do Sabaton, e especificamente dessa vez, abordaremos sobre uma das principais canções do seu repertório, sendo essa a “Primo Victoria”, lançada no álbum de mesmo nome em 2005, primeiro da carreira do grupo.

Como muitos de vocês devem saber, o Sabaton é uma banda que tem como temática falar de batalha militares históricas que marcaram a humanidade, e podemos dizer que a música que começou toda essa trajetória da banda foi justamente “Primo Victoria”, que fala de um dos momentos mais importantes da humanidade contemporânea, o chamado Dia D na Segunda Guerra Mundial.

Antes de explicar exatamente o que foi o Dia D, vamos explicar o que ocorria na Segunda Guerra Mundial antes do mesmo.

O ano era 1943, e após ter conquistado boa parte da Europa Central e Oriental, a Alemanha Nazista de Hitler agora investia contra a União Soviética, tendo causado bastante estrago a princípio. Mas, na Batalha de Stalingrado, uma das mais sangrentas da Segunda Guerra, os Nazistas caíram diante da resistência e do forte inverno Soviético, tendo ali sido o início da derrocada alemã.

Com isso, a União Soviética de Josef Stalin passou a lutar do lado dos Aliados (Estados Unidos, França e Inglaterra), tendo a partir dali os líderes das quatro nações começado a se articular para retomarem a França, que ainda estava sob o domínio Nazista.


Com isso, o general americano Dwight D. Eisenhower foi o escolhido para preparar a tropa, e liderar o exército aliado até as praias francesas.


Antes da chamada Operação Overlord, os Aliados executaram a Operação Bodyguard, que foi nada mais, nada menos, do que uma operação falsa para enganar os alemães, fazendo assim parte das tropas Nazistas se deslocarem Calais para se depararem com navios vazios.

Sendo assim, no dia 06 de junho de 1944, se iniciava o chamado Dia D, com mais de 156 mil militares, entre americanos, ingleses, franceses e canadenses, pegando de surpresa as tropas alemães nas praias da Normandia, executando ali uma das maiores operações anfíbias da história.

A batalha durou cerca de dois meses, custando mais de 209 mil vidas de soldados Aliados, tendo no fim de agosto o objetivo sido conquistado. Os Nazistas foram expulsos, e a França voltou a ser dos franceses.

Assim como Stalingrado, o Dia D mudou completamente o rumo da guerra, já que após isso os alemães passaram a ficar apenas na defensiva, fazendo com que os confrontos chegassem aos poucos a ao território alemão, culminando inclusive na Batalha de Berlim em maio de 1945, quando os Russos deram o golpe de misericórdia na Alemanha Nazista.

E como sempre, esse foi apenas um resumo do assunto, caso queiram se aprofundar mais em todos os detalhes do Dia D, recomendo primeiramente este vídeo do canal “Impérios AD”.

E para aqueles que tiverem um inglês fluente, recomendo também o vídeo feito pelo próprio Sabaton no canal “Sabaton History”.


E confiram também a música por si só:


Fonte: Roadie-metal.com

A HISTÓRIA POR TRÁS DA CANÇÃO #36: BLACK SABBATH – BLACK SABBATH

 

Olá caros headbangers, segunda-feira chegou, e está começando mais um “A História Por Trás Da Canção”, hoje, falando de uma música que caberia perfeitamente na trilha sonora de um filme de terror.

Essa música é a “Black Sabbath” da banda Black Sabbath que está presente no disco “Black Sabbath” (rs). E porque a canção se encaixaria bem na trilha de um filme de terror? Simples, por duas razões: Sua sonoridade e atmosfera completamente macabra, e a sua letra.

Mas antes de falar melhor dessas parte, comecemos do início:

A canção foi escrita 1969 pelos quatro integrantes do Black Sabbath, Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward, e ela fez parte do primeiro disco da banda lançado em 1970, o autointitulado “Black Sabbath”. E como muitos aqui devem saber, esse álbum é um grande marco na história da música, isso porque foi a partir daí que um novo estilo nascia, o Heavy Metal.

E com esse disco, o Black Sabbath trazia um estilo musical completamente diferente do que as pessoas estavam acostumadas na época, um som mais “sombrio” e pesado, com uma atmosfera densa em todas as suas músicas, e com letras um tanto sinistras (tanto que praticamente todas as bandas de Doom Metal hoje em dia se inspiram nesse CD).

Claro, a principio o som da banda foi bastante mal visto por muitos, já que eles eram constantemente acusados de serem “satânicos” por conta de suas canções, e uma das músicas que “reforçava” o argumento dessas pessoas é justamente essa que irei falar agora, que é logo a primeira faixa do disco.

A letra de “Black Sabbath” retrata a história de uma pessoa que está prestes a ser possuída pelo demônio, e todo o processo de possessão seria relatado a partir da visão dela, onde inclusive há uma parte em que ela clama pela ajuda de Deus. Ainda mais, a faixa seguinte do álbum, a N.I.B., seria a visão de Lúcifer da história. Claro, muitos religiosos na época interpretaram isso como uma possível apologia ao satanismo, uma interpretação errônea, pra variar.

E a parte macabra vai muito mais além disso, isso porque a banda se inspirou primeiramente em um filme chamado “As Três Mascaras do Terror” (“Black Sabbath” em inglês) para compor a música, e também em uma experiência bastante macabra vivenciada pelo baixista Geezer Butler.

Quando a banda ainda se chamava “Earth”, Butler um dia pintou seu apartamento de preto, colocou vários crucifixos invertidos e alguns quadros de Satanás na parede. Ozzy o deu um livro de bruxarias, o qual ele leu e colocou na prateleira antes de ir dormir. Quando acordou, Geezer diz ter visto uma figura negra ao pé da sua cama, e após a mesma desaparecer o músico foi buscar o livro, tendo nascido a partir daí, a canção nomeada de “Black Sabbath”.

Entenderam o porquê que essa música encaixaria muito bem na trilha sonora de um filme de terror? (rs)

Confiram a canção logo abaixo e entendam isso tudo que falei vocês mesmos.


Fonte: Roadie-metal.com

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

A HISTÓRIA POR TRÁS DA CANÇÃO - SEPULTURA – MANIFEST

 


Olá caros headbangers, bem-vindos a mais um “A História Por Trás da Canção”, nossa quadro semanal onde você aprende todas as segundas-feiras sobre todo o contexto lírico por trás das músicas de Rock e Metal que tanto amamos.

E vamos falar de metal nacional hoje, mas especificamente daquele que é o maior nome do estilo no país, a grande banda mineira Sepultura. E para agradar gregos e troianos, falaremos de uma faixa da época de ouro deles, lançada no álbum “Chaos A.D.” de 1993.

De fato, a canção “Manifest” está longe de ser uma das mais consagradas do quarteto, apesar de estar em um dos álbuns mais marcantes do grupo. Mas ao mesmo tempo, podemos dizer que é uma das músicas mais curiosas do disco, primeiramente pelo fato da mesma ser 99% falada, e não cantada. E segundamente, por ela falar de um dos fatos mais marcantes ocorridos em São Paulo no início dos anos 90.

A música fala do famoso massacre ocorrido no antigo presídio do Carandiru, em outubro de 1992, onde durante uma intervenção da Polícia Militar do Estado de São Paulo para conter uma rebelião dentro da unidade, 111 detentos acabaram sendo mortos em uma grande chacina.


Antes de falar dos detalhes da canção, vamos explicar um pouco o que aconteceu naquele fatídico 02 de outubro de 1992.

Tudo começou durante uma partida de futebol disputada entre os detentos no pátio do Pavilhão 9, onde durante uma briga ocasionada pelo jogo acabou se desencadeando em uma grande rebelião. Com isso, a Polícia Militar, comandada pelo Coronel Ubiratan Guimarães, foi acionada para o local com o intuito de “acalmar” a situação.


Mas, após Pedro Franco de Campos, atual Secretário de Segurança Pública de São Paulo, dar a autorização para que a Polícia invadisse o complexo, o que ocorreu foi uma verdadeira chacina, que resultou na morte de 111 pessoas, todas elas presidiárias.

O caso repercutiu como um dos maiores massacres ocasionados por truculência policial, custando inclusive o cargo do Secretário Pedro Franco um mês após o ocorrido. O julgamento dos policiais envolvidos durou mais de 20 anos. O comandante da operação, o Coronel Ubiratan Guimarães, chegou a ser condenado a 632 anos de prisão em 2001 (seis anos para cada homicídio, e vinte anos para cada uma das cinco tentativas de homicídio a qual foi acusado), mas em 2006, após o mesmo se eleger deputado estadual por São Paulo, a Justiça o absolveu da pena, em setembro daquele mesmo ano Ubiratan foi assassinado, e no muro do prédio onde morava foi pichada a frase “aqui se faz, aqui se paga”.

Há quem diga também que a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) foi criada por criminosos de outras unidades prisionais de São Paulo como resposta para o massacre do Carandiru, mas isso ainda é bastante questionado hoje em dia.

Agora retornando a faixa do Sepultura, como foi dito anteriormente, a maior parte da música é falada (como se fosse realmente um manifesto), e a letra além de relatar com detalhes o massacre do Carandiru, também faz críticas a Polícia Militar ao ressaltar a fama que a mesma tem de sempre agir com truculência e violência em excesso. Lembrando mais uma vez que estamos falando do início dos anos 90 aqui.

Para aqueles que quiserem saber mais detalhes sobre o ocorrido, obviamente irei recomendar o filme “Carandiru” de 2003, dirigido por Héctor Babenco, que é baseado no livro “Estação Carandiru”, do médico Dr. Dráuzio Varela, onde o mesmo relata suas experiências tratando pacientes de dentro do complexo prisional.

Fonte: Roadie-metal.com

sábado, 8 de maio de 2021

Artillery: banda dinamarquesa lança "X", seu décimo álbum de estúdio

 A banda dinamarquesa de thrash metal ARTILLERY lançou oficialmente nesta sexta-feira (7 de maio) seu décimo álbum de estúdio, intitulado "X". O disco, lançado pela Metal Blade Records, é o sucessor de "The Face Of Fear", lançado em 2018.

O novo trabalho do ARTILLERY é o primeiro disco do quinteto sem o baixista/guitarrista Morten Stützer, que faleceu em 2019. "X" foi gravado no Medley Studio, localizado em Copenhagen (capital da Dinamarca) e foi produzido por Soren Andersen, com quem a banda trabalhou em todos os discos desde "When Death Comes", lançado em 2019. "Como sempre, nos divertimos muito quando estamos gravando, mas ainda somos profundamente sérios, é claro. Soren é um cara ótimo para se trabalhar e adora boas piadas, e quando estamos terminando as sessões temos tempo para uma cerveja e boa conversa sobre o dia de trabalho", afirmou o guitarrista Michael Stützer.

Fonte: Whiplash.net

quarta-feira, 7 de abril de 2021

A HISTÓRIA POR TRÁS DA CANÇÃO #15: MOONSPELL – TODOS OS SANTOS


Olá caros headbangers, bem-vindos a mais um “A História Por Trás da Canção”, nosso quadro de toda segunda-feira onde você descobre um pouco sobre o contexto que envolve as músicas de Rock/Metal que tanto amamos.

Hoje, finalmente falaremos de uma música cantada em português, mas que mesmo assim ainda não se trata de uma banda nacional, e sim de um grupo oriundo do país que se encontra no outro lado do Atlântico, responsável por falarmos a língua que falamos hoje em dia.

Certamente, o Moonspell é atualmente o principal nome do metal lusitano, eles são para Portugal o equivalente que o Sepultura é para o Brasil, e em 2017 a banda chamou a atenção após lançar o “1755”, que foi o primeiro álbum do grupo a ter letras completamente em português.

Todo o álbum aborda uma questão histórica referente a Portugal, sendo essa o terremoto que atingiu Lisboa no dia 1º de novembro de 1755, devastando completamente a cidade com uma sequência de tremores, incêndios e tsunami.

Apesar de todo o disco explorar essa temática, falaremos especificamente da musica “Todos Os Santos”, e explicarei o porquê.

Antes de tudo, vejam o lyric vídeo oficial do single e comecem a fazer as suas interpretações.


Bom, lendo a letra e vendo o lyric vídeo, percebe-se que a música vai muito além da temática abordada no “1755”, certo?

Pois bem, comecemos então explicando o título da música “Todos Os Santos”, que é uma referência ao dia que a tragédia em questão aconteceu, pois 1º de novembro é comemorado o feriado do dia de todos os santos. Lembrando aqui que estamos falando do Século XVIII, ou seja, aquela era uma época onde a Igreja Católica tinha uma grande influência na sociedade como um todo, e por conta disso, as ruas e as igrejas de Lisboa estavam lotadas de fiéis no dia da tragédia, o que intensificou o número de mortos.

Com isso, no refrão da música e entoada a frase “Todos os santos não chegaram”. Ou seja, esse é um questionamento as crenças da Igreja, pois o eu-lírico fala que exatamente no feriado do dia de todos os santos, “Todos Os Santos” aparentemente não chegaram em Portugal para impedir que a tragédia matasse milhares de fiéis em Lisboa.

E ao longo de todo o álbum o vocalista Fernando Ribeiro faz diversas cutucadas a Igreja, outro exemplo ocorre na faixa “Evento”, onde há as frases “onde está ele que por nós olhava?”, e “sossega-te, é o fim, e fica quieto porque Deus assim quis”.

Além disso, a letra também pode ser utilizada no contexto dos dias atuais, e o próprio lyric vídeo da música deixa claro ao mostrar a imagem de vários líderes mundiais em meio a um planeta em caos, pois nesse caso os políticos seriam os “santos que não chegaram” para ajudar a sua população, já que os mesmos passam imagens de bonzinhos, quando na verdade só estão ajudando na auto-destruição da sociedade.

Fonte: Roadie-metal.com


A HISTÓRIA POR TRÁS DA CANÇÃO #14: IRON MAIDEN – 2 MINUTES TO MIDNIGHT

 


Olá caros headbangers, bem-vindos a mais um episódio do quadro “A História Por Trás da Canção”, onde toda segunda-feira você aprende sobre curiosidades por trás das temáticas das músicas de Rock/Metal que tanto amamos. 

No texto de hoje voltaremos a falar de um dos maiores nomes do metal mundial (senão, o maior), cuja várias músicas de seu repertório tem bastante panos para as mangas nesse quadro, abordando várias temáticas históricas. 

Certamente estamos falando aqui no Iron Maiden, que certamente fez muito headbanger por aí aprender história de uma forma melhor do que aprenderia na escola. 

E especificamente, falaremos hoje de um dos maiores clássicos da Donzela de Ferra, presente no álbum “Powerslave”, lançado em 1984, se tratando da música “2 Minutes To Midnight”. 

Bom, para destrinchar essa música, podemos começar falando sobre o contexto histórico que inspira o título “2 Minutes to Midnight”, que no caso faz uma referência clara ao “Doomsday Clock” (ou “Relógio do Juízo Final, se assim preferir), que no caso é um relógio simbólico criado pela Bulletin of the Atomic Scientists, da Universidade de Chicago, em 1947, que faz uma analogia sobre o quão próximo a humanidade está de uma catástrofe mundial (representada pela marca da ‘meia-noite’) se baseando nas tensões que o mundo vive, sendo esse “relógio” atualizado todos os anos. 


E nessa ocasião específica da música do Iron Maiden, a marca “dois minutos para meia-noite” é referente ao ano de 1953, quando em plena Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética testaram diversos dispositivos termonucleares em um intervalo de 9 meses, sendo esse um dos momentos em que o mundo esteve mais próximo de uma guerra nuclear. 

Esse era até então, a vez que o Relógio do Juízo Final esteve mais próximo da “meia-noite” (lembrando que a música foi lançada em 1984), e acreditem se quiser, esse infeliz recorde foi batido, mas falaremos disso daqui a pouco. 

Voltando a música do Maiden, o título da mesma é mais uma representação daquilo que a letra fala, pois a temática dela não fala apenas especificamente desse momento da história, mas também faz toda uma crítica a todo o “romance da guerra”, em geral, segundo já afirmou o próprio vocalista Bruce Dickinson. 

E antes de finalizarmos, vamos voltar a informação de que a marca de “dois minutos para meia-noite” já foi batida. 

Pois bem, e saibam que esse “recorde” foi batido recentemente, aliás, estamos vivendo ele atualmente. Como se não bastasse o relógio ter retornado para a marca de dois minutos para meia-noite em 2018, e se mantido em 2019, por conta das tensões nucleares entre Estados Unidos e Coreia do Norte, na mais recente atualização feita em 2020, o Relógio do Juízo Final está marcando UM MINUTO E QUARENTA SEGUNDOS para a meia-noite, superando as estimativas de 1953 e 2018. 

A razão para estarmos tão próximos de uma catástrofe mundial é simples, além das seguidas tensões nucleares entre Estados Unidos e Rússia, principalmente após o fim do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, também tiveram as tensões entre Estados Unidos e Irã, além claro, da pandemia da Covid-19. 

Confiram a música traduzida logo abaixo:


Fonte: Roadie-metal.com



A HISTÓRIA POR TRÁS DA CANÇÃO #13: SYSTEM OF A DOWN – PROTECT THE LAND

 


Olá caros headbangers, bem-vindos a mais uma edição do quadro “A História Por Trás da Canção”, onde toda segunda-feira vocês aprendem todo o contexto por trás das músicas de Rock/Metal que tanto amamos.

Hoje, falaremos de uma das músicas que foi responsável por fazer quatro caras que não se entendiam artisticamente há 15 anos se reunirem, para finalmente produzirem um material novo depois de muito tempo, para alegria dos fãs fervorosos.

Como muito de vocês devem saber, em novembro de 2020 a famosa banda System of a Down, um dos principais nomes do New Metal do início dos anos 2000, lançou de surpresa duas músicas inéditas, após passarem 15 anos sem nenhuma novidade, tendo o último álbum completo deles sido o “Hypnotize”, de 2005.

As músicas em questão foram as “Protect the Land” e “Genocidal Humanoidz” ambas as quais carregam uma importante temática que envolve pessoalmente todos os integrantes da banda, a qual falaremos em alguns instantes.

Especificamente, falaremos da “Protect the Land”, que foi a música que deu esse empurrão nos integrantes do SOAD para que esses novos lançamentos fossem possíveis. Mas antes de falarmos sobre o que a canção fala exatamente, vamos relembrar um pouco toda a situação interna do System of a Down desde o fim do ciclo do “Hypnotize” até o lançamento da mesma.

Os desentendimentos internos da banda vinham desde antes da gravação dos álbuns “Mesmerize” e “Hypnotize” (ambos lançados em 2005), resultando no hiato do grupo após o encerramento desse ciclo, tendo o System of a Down ficado de lado até pelo menos 2010, quando os integrantes anunciaram que a banda voltaria a se reunir para realizar uma série de shows.

Desde então a banda passou fazer turnês de forma constante, tendo inclusive passado pelo Brasil algumas vezes, rendendo duas participações no Rock In Rio (2011 e 2015). Mas mesmo assim, não havia o menor sinal de que um dia eles finalmente lançariam um álbum novo.

E quando alguns dos integrantes eram questionados em entrevista sobre o porquê do SOAD não ter lançado um trabalho novo, mesmo após eles voltarem a fazer em nome da banda, ficava claro que os problemas internos do grupo ainda não estavam 100% resolvidos, ficando entendido que as músicas novas não saiam simplesmente pelo fato do vocalista Serj Tankian e o resto da banda não conseguirem chegar a um denominador comum. E a consequência disso foi o fato que muitas músicas que poderiam ter sido do System, acabaram sendo lançadas em nome dos outros projetos dos integrantes, como o Scars On Broadway (do guitarrista Daron Malakian) e o próprio projeto solo do Serj.

E as diferenças de ideais entre os integrantes ficou ainda mais clara ao longo do ano de 2020, quando Serj Tankian e o baterista John Dolmayan passaram a dar opiniões completamente opostas em relação ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, sendo Serj um crítico do Republicano, e John, um apoiador.

Resumindo, o System of a Down estava em uma situação onde todos se respeitavam o suficiente para seguirem tocando juntos, mas não se entendiam mais artisticamente para fazerem algo novo (vale ressaltar que por ironia do destino, Serj e John são cunhados, tendo Tankian até participado do EP solo do baterista lançado no ano passado).

E aí que finalmente chegamos na música “Protect the Land”, sendo ela o resultado de um consenso que toda a banda chegou após 15 anos, se tratando do conflito do Azerbaijão com a Armênia, sendo o segundo o país de origem dos quatro integrantes (seja por sangue, ou por ascendência).

E o que está acontecendo exatamente nessa região? Bom, para explicar isso precisaremos voltar uns 30 anos na história, quando os dois países deixaram de ser parte da antiga União Soviética.

Desde o fim da União Soviética, ambos os países disputam por uma região chamada Nagorno-Karabakh (chamado pelos armênios de Artsakh), que oficialmente pertence ao Azerbaijão (graças a divisão feita pelos Soviéticos), mas que tem a sua população de maioria armênia.


E ao longo desses 30 anos, os dois países se enfrentaram diversas vezes por conta dessa região, tendo alguns cessar-fogo no processo, mas que terminou em 2016, tendo o conflito ficado ainda mais intenso após o Azerbaijão e a Turquia (principal aliada) atacarem os armênios em meio a pandemia da Covid-19.

Esse foi o estopim que fez o System of a Down juntar forças para levantarem a voz em favor da Armênia, compondo a “Protect the Land” e a “Genocidal Humanoidz”, e também lançando uma campanha para ajudar o povo daquela região.

Como disse anteriormente, todos os integrantes da banda ou são de origem armênia, ou são descendentes, com isso, eles tomaram as dores do povo armênio e decidiram fazer algo para ajudar o país, e também para falar ao mundo o que estava acontecendo por lá.

E vale ressaltar, o próprio John Dolmayan deixou claro em entrevistas que mesmo ele e Serj discordando bastante nas questões políticas dos Estados Unidos, a questão da Armênia sempre foi um consenso entre os dois.

A “Protect the Land” foi composta especificamente por Daron Malakian, com a sua letra abordando sobre os soldados armênios que estão defendendo o seu país contra um adversário com um poder bélico muito maior, faltando para eles muitas vezes até coisas básicas como kits de primeiros-socorros.

Deixarei abaixo para vocês agora três vídeos. Primeiramente, o clipe de “Protect the Land”, segundo, o mini-documentário feito pelo System of a Down sobre a canção (em inglês sem legendas), e por último, uma reportagem do Jornal da Globo explicando o conflito na Armênia, com entrevista do próprio Serj Tankian.




E antes de encerrarmos, deixa eu divulgar para vocês uma pequena novidade em relação ao quadro.

Estou lançando a partir de agora uma playlist no Spotify que terá todas as músicas que foram destrinchadas no “A História Por Trás da Canção”, em sua ordem de publicação. Vocês podem conferir lá tanto a música de hoje quanto as publicadas anteriormente, e claro, ao longo que o quadro for avançado a playlist será atualizada aos poucos.

Fonte: Roadie-metal.com

segunda-feira, 5 de abril de 2021

IRON MAIDEN: A HISTÓRIA POR TRÁS DA CAPA DE “FEAR OF THE DARK”

 


Hoje (11/05) um dos mais icônicos álbuns do Iron Maiden completa 28 anos de seu lançamento. Talvez o que poucos fãs sabem é que existe uma história por trás da concepção da arte gráfica de “Fear Of The Dark”. Trarei então hoje alguns pequenos detalhes envolvidos.

Primeiramente devo lembrar que até aquele ponto, estávamos acostumados com os traços de Derek Riggs nas capas. Não preciso entrar em detalhes de como foi estranho para os fãs ver o Eddie sob uma outra perspectiva. De acordo com o livro “Detailed Discography of the Beast” do escritor venezuelano Luis Mariano Rojas, houve uma espécie de “concurso” para a escolha da capa.

A banda tinha uma ideia para a arte. Eddie deveria ter asas de morcego e tinha que fazer parte de outra coisa (como o céu, uma árvore ou que quer que fosse). Os artistas então tiveram a liberdade para os desenhos, inclusive dentre eles estava o próprio Derek Riggs, que anos mais tarde teve o esboço de sua arte, inacabada por sinal, revelada.


De fato, a ideia inicial de Grant (e ele desenhou isso) era fazer o Eddie como um vampiro e ele até o desenhou com asas de morcego quando o Maiden pediu. No entanto, uma vez que eles viram o desenho não gostaram. Então Grant veio com a ideia de misturar o Eddie com a árvore, na arte final como conhecemos.


No fim das contas, o sentimento entre os artistas envolvidos no processo foi o de que eles não tiveram muita liberdade no que desenhar.

Fonte: Roadie-metl.com

A HISTÓRIA POR TRÁS DA CANÇÃO #18: AVENGED SEVENFOLD – FICTION

 


Olá caros headbangers, bem-vindos a mais um “A História Por Trás da Canção”, quadro esse onde descobrimos todo o contexto por trás das letras das músicas de Rock e Metal que tanto amamos.

Hoje, falaremos de uma das bandas de meio destaque no cenário atual do Metal, que desde o início dos anos 2000 tem cativado o seu público, sendo essa os americanos do Avenged Sevenfold.

E para quem é fã da banda, o texto hoje será um pouco “sentimental”, pois se tratará de uma das homenagens feitas pelo grupo ao seu falecido baterista The Rev, aliás, nesse caso específico, vai muito além disso.

Então, vamos lá:

O Avenged ainda estava em processo de produção de seu quinto álbum, o “Nightmare’, quando no dia 28 de dezembro de 2009, tiveram a triste notícia do falecimento do seu companheiro e irmão de banda, The Rev, notícia essa que chocou o mundo do metal.

Claro, com isso, a produção do disco foi suspensa por um tempo, mas após um período, a banda voltou aos trabalhos e finalizou o álbum, tendo convidado Mike Portnoy (uma das principais influências de Rev) para gravar as linhas de baterias do CD. E no dia 27 de julho de 2010, o “Nightmare” era finalmente lançado, e certamente, o disco veio repleto de homenagens ao falecido baterista (começando com a capa, que teve em destaque a palavra “FoREVer” escrita em um túmulo).



Outra homenagem já se encontra no primeiro clipe do álbum, que se trata da faixa-título, que é inspirado no filme “Jacob’s Ladder”, um dos favoritos de The Rev. E durante o vídeo (e no final também) é mostrado uma bateria com a logo da banda vazia, representando claramente a falta que ele faz para a banda.

Outro exemplo é a música “So Far Away”, que o guitarrista Synyster Gates compunha inicialmente para homenagear seu falecido avô, mas que após o ocorrido, a homenagem também se estendeu a The Rev. O clipe da música inclusive, foi um dos mais sentimentais da banda, onde eles mostraram vídeos do baterista.

Mas há uma música em meio ao disco que chama bastante atenção, se trata da faixa “Fiction”. E falo isso não apenas porque essa foi a última composição do The Rev ainda em vida, e sim pelo fato dela ter sido composta apenas três dias antes da morte do baterista, e principalmente porque a música tinha sido intitulada inicialmente de “Death”, parecendo que o próprio Rev sabia do seu triste destino nos três dias seguintes.

Depois o nome da música foi mudado para “Fiction”, que era uma tatuagem que o The Rev tinha, e passou a ser uma das principais homenagens da banda para o baterista. A faixa também é a única do álbum que contêm linhas vocais do próprio Rev (que fazia constantemente backing vocal em algumas músicas do Avenged).

Confiram a música traduzida logo abaixo, e percebam o quão forte é a letra, principalmente quando encaixada no contexto em questão:


Fonte: Roadie-metal.com




A HISTÓRIA POR TRÁS DA CANÇÃO #17: SLAYER – ANGEL OF DEATH



Olá caros headbangers, este é mais um “A História Por Trás da Canção”, quadro esse onde toda semana vocês conhecem um pouco do contexto por trás das letras das músicas de Rock/Metal que tanto amamos.

E hoje, falaremos de mais uma música que causou polêmica na época em que foi lançada, dessa vez por tratar de um tema que envolvia o partido nazista. Se trata da música “Angel Of Death” do Slayer, que foi lançada em 1986 no álbum “Reign In Blood”.

A música foi escrita pelo guitarrista Jeff Hanneman, e a letra retrata as experiências médicas cruéis praticadas no campo de concentração de Auschwitz durante a segunda guerra mundial, que eram de autoria de Josef Mengele, um conhecido médico do partido nazista, que ficou famoso na história como “o Anjo da Morte” (Angel of Death).

Para os que não sabem, algumas experiências realizadas por Mengele com os judeus nos campos de concentração eram, por exemplo, injetar tinta azul nos olhos das crianças, unir veias de gêmeos, deixar pessoas em tanques de água gelada completamente despidas para testar sua resistência, amputar membros de prisioneiros e coletar órgãos dos mesmos. Essas são apenas algumas das diversas crueldades praticadas por esse senhor.

Jeff teve inspiração para compor a canção após ler dois livros sobre Josef Mengele.

“Eu me lembro de parar em algum lugar e comprar dois livros sobre Mengele. Eu pensei ‘Isso é uma coisa doentia’, então chegou na hora de gravar para o álbum e aquilo ainda estava em minha cabeça, foi daí que veio a música Angels of Death“.

Como na música, eles retratam o fatos com palavras fortes como “Destruindo sem piedade”, “Ao benefício da raça Ariana”, “Patéticas vítimas inofensivas abandonadas para morrer” e algumas outras, muitos acabaram tirando a canção do contexto e entenderam que aquilo se tratava de um tributo ao Josef Mengele, e consequentemente, uma apologia ao nazismo, causando bastante polêmica. Quando na verdade a banda apenas quis retratar de uma forma bastante explícita e com detalhes, toda a crueldade praticada em Auschwitz pelo Josef Mengele, o que acabou dando margem para esse tipo de interpretação errônea.Apesar de toda a polêmica, a música é até hoje, uma das mais aclamadas do Slayer.

Ouçam ela, com tradução, logo abaixo:


Fonte: Roadie-metal.com

A HISTÓRIA POR TRÁS DA CANÇÃO #20: THE RAVEN AGE – FLEUR DE LIS

 

Olá caros headbangers, bem-vindos a mais um “A História Por Trás da Canção”, o nosso quadro de toda segunda-feira onde descobrimos semanalmente os detalhes por trás das letras das músicas de Rock e Metal que tanto amamos.

E hoje voltaremos a falar da banda que abriu esse quadro, sendo essa a The Raven Age, grupo o qual faz parte o guitarrista George Harris, filho de um velho conhecido de todos aqui, sendo esse o Steve Harris, baixista da grande banda britânica Iron Maiden.

Certamente, a The Raven Age é uma banda muito pouco popular no Brasil, mesmo tendo o filho de uma lenda entre seus integrantes, isso sem falar que seu estilo certamente faz muito headbanger conservador torcer o nariz, por se tratar de um grupo que segue a linha sonora de vertentes mais modernas,

Mas, de qualquer forma, é uma banda que recomendo todos ouvirem, principalmente seu álbum mais recente intitulado “Conspirancy”, de 2019, que inclusive é o disco o qual pertence a música que falaremos hoje, sendo essa a “Fleur de lis”.

Assim como o Iron Maiden, o The Raven Age também é uma banda que gosta de abordar questões históricas em suas letras, coisa que também ocorre na faixa “Fleur de lis”, onde na mesma, a banda fala sobre a conhecida história de Joana D’Arc.


Bom, você que nunca fugiu das aulas de História na escola certamente já ouviu falar em Joana D’Arc em algum momento da sua vida, mas de qualquer forma, vamos lá destrinchar os fatos sobre um dos principais símbolos históricos da França até hoje.

De início, Joana D’Arc era apenas uma mera camponesa que seguia uma humilde vida ao lado de sua família em Domrémy, no Nordeste da França, em meio ao contexto da Guerra dos Cem Anos, onde França e Inglaterra guerrearam por 116 anos em disputado do trono francês, após a morte do rei Carlos IV, que não deixou herdeiros.

Aos 13 anos, Joana alegava ouvir vozes divinas falando com ela, que segundo a mesma, algumas dessas seriam do Arcanjo São Miguel, de Santa Catarina de Alexandria, e de Santa Margarida de Antioquia.

E o que essas vozes diziam? Bom, por mais estranho que possa parecer para alguns, segundo a própria Joana, as vozes a aconselhavam a ir para Paris com o intuito de se juntar ao exército francês para retomar a cidade de Orléans.

Aos 16 anos, Joana D’Arc convenceu Robert de Baudricourt, capitão da guarnição Armagnac, a lhe ceder uma escolta até Chinon, para se encontrar com o rei Carlos VII, que ainda não tinha sido coroado como rei da França (pois, a coroa estava em disputa com o rei inglês Henrique VI).

Ao chegar em Chinon, Joana precisou deixar o seu cabelo curto e se vestir com roupas masculinas para que a nobreza aceitasse ouvi-la, tendo assim seu encontro com o rei Carlos sido possível.

Imagino que nessa parte muitos de vocês devem ter ouvido falar que para testar Joana D’Arc, o rei Carlos se vestiu como um homem comum em meio a nobreza para ver se a jovem camponesa o reconheceria, e se assim o fizesse, provaria a sua “ligação” com o divino, tendo sido exatamente isso que teria ocorrido. Bom, devo informa-los que essa parte da história é considerada como lenda pelos historiadores, e que na verdade, até hoje não se sabe o que ocorreu na conversa entre Joana e Carlos que convenceu o rei a dar sua total confiança a jovem moça para liderar o exército francês.

Mas, é verdade que Joana foi submetida a um teste de espiritualidade, onde foi constado que ela era uma garota sã, e não apenas uma lunática falando besteiras, e que ela precisou fazer um exame para provar que ainda era virgem.

Fato é que após isso tudo, Joana D’Arc liderou o exército francês até a cidade de Orléans, onde eles conseguiram derrotar os ingleses da mesma. E aqui chegamos em outro ponto que causa divergência entre os historiadores, pois alguns dizem que Joana foi uma grande guerreira no campo de batalha, e outros dizem que o papel dela era mais de encorajar os soldados, mas sem ter participado diretamente do combate.

Independente disso, Joana passou a ser uma figura importante para o moral do exército francês, e logo após a vitória em Orléans, o rei Carlos VII finalmente foi coroado na cidade de Reims. E a partir dali a história da jovem camponesa que passou a liderar o exército francês passou a ser contada por todos.

Certamente, os ingleses não ficaram nada felizes com isso, sendo assim, em 1430, Joana foi capturada durante uma investida a cidade de Compiêgne, que era dominada pelos Borguinhões, franceses aliados da Inglaterra, tendo sido entregue aos ingleses.

E para desmoralizar a figura de Joana D’Arc, e também do rei francês Carlos VII, Joana foi levada a julgamento pela Igreja Católica sob acusações de cunho religiosos, sendo algumas delas referentes a bruxaria, blasfêmia, heresia, assassinato, e afins.

No fim, Joana foi considerada culpada, sendo condenada a morte na fogueira aos 19 anos, pena essa que foi executada no dia 30 de maio de 1431 na Praça do Velho Mercado, em Ruão. E para evitar possíveis adorações ao seu túmulo, a Igreja cremou o seu corpo e jogou as cinzas no rio Sena.


Mas, seu legado não acabou por aí, alguns anos depois, em 1456, o papa Calisto III pediu revisão do processo de julgamento de Joana D’Arc, tendo após isso inocentado a mesma das acusações de bruxaria.

Além disso, sua imagem depois passou a ser usada como símbolo da Liga Católica contra os Protestantes, e em 1803, Napoleão Bonaparte a declarou como símbolo nacional da França.

E por fim, em 1909 sua beatificação foi autorizada pela Igreja Católica após relatos de milagres que ocorreram após pessoas rezarem para ela, tendo em 1920 sua canonização sido oficializada pela papa Bento XV, se tornando a partir dali Santa Joana D’Arc.

Mais uma vez, ressalto que isso aqui é apenas um resumo de toda a história, caso queiram saber mais detalhes, deixarei aqui alguns vídeos para vocês aprofundarem a pesquisa




Fonte: Roadie-metl.com