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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Resenha: Lion’s Share — Inferno (2026)

 


Na ativa desde 1987, o veterano Lion’s Share, além do guitarrista e membro fundador Lars Chriss, também conta com o talento do vocalista Nils Patrik Johansson, conhecido por seus timbres e interpretações que remetem ao mestre Ronnie James Dio. O cantor entrou no grupo em 2007, lançou dois bons trabalhos — Emotional Coma (2007) e Dark Hours (2009) —, mas, desde então, concentrou seus esforços em registros do Astral Doors e de sua carreira solo.

Com isso, o Lion’s Share acabou ficando em segundo plano e, esporadicamente, lançou alguns singles avulsos. Acontece que algumas dessas músicas eram tão boas que mereciam integrar um álbum completo. Foi justamente com essa premissa que Inferno começou a ser preparado. Sete faixas apresentadas ao público entre 2019 e 2024 foram escolhidas: “Chain Child”, “We Are What We Are”, “Pentagram”, “Baptized In Blood”, “Run For Your Life”, “Live Forever” e “We Will Rock”. Além disso, o grupo trouxe mais duas canções inéditas: “The Lion’s Trial” e “Another Desire”. Pronto: bastou isso para que os suecos tivessem em mãos um dos materiais mais fortes do ano quando falamos de Heavy Metal tradicional.

Imagine que o Black Sabbath das fases Ronnie James Dio e Tony Martin se encontrou com o Accept da era Restless And Wild e trocou figurinhas com o Saxon atual, especialmente no período pós-Sacrifice. É mais ou menos essa a mistura que o Lion’s Share oferece. E sejamos sinceros: os amantes desse gênero não procuram grandes revoluções ou novidades. Na verdade, não existe necessidade de adição mirabolante ou invencionismo gratuito; basta fazer o básico com honestidade, inspiração e criatividade. Dá para afirmar que temos tudo isso aqui.





Produção direta, eficiente e sem desperdícios

Inferno chegou às lojas e plataformas de streaming no dia 27 de março, por meio de uma parceria da banda com a Metalville. As nove faixas ficaram distribuídas em pouco mais de 42 minutos de duração, tempo suficiente para o disco passar seu recado sem enrolação. A produção e a mixagem ficaram a cargo do próprio Lars Chriss, enquanto a masterização ficou nas mãos de Mike Lind. Completando o time em estúdio, os tecladistas Anuviel e Kay Backlund, o baixista Andy Loos e o baterista Fredrik Johansson, irmão de Nils, deram vida a esta nova formação do grupo.

A audição começa com a visceral “Pentagram”, conduzida por um riff inicial cortante, capaz de empolgar logo de cara, e por um refrão de fácil absorção. “We Are What We Are” chega na sequência e funciona como um hino e, ao mesmo tempo, como uma declaração de amor à comunidade do Heavy Metal. Não é à toa que a faixa ultrapassou a marca de 1 milhão de reproduções somente no Spotify.







“We Will Rock” fecha a trinca inicial e soa como uma homenagem ao saudoso Ronnie James Dio. O riff principal de Lars Chriss parece carregar uma intenção muito clara: soar como uma continuidade do hino “We Rock”, presente no clássico The Last In Line (1984). Já Nils Patrik Johansson, como sempre, entrega aquela performance que nos faz questionar como uma similaridade dessa magnitude é possível.

Entre Black Sabbath, Saxon e a velha escola

Em “The Lion’s Trial”, o grupo claramente busca inspiração no Black Sabbath. A faixa soa como um híbrido entre aquilo que foi apresentado em Headless Cross (1989) e Heaven And Hell (1980). Caso papai Iommi ouça esta composição, certamente ficará satisfeito com os pupilos.

“Baptized In Blood” mantém a audição interessante, mas são as duas faixas seguintes que realmente aumentam a temperatura. “Live Forever” traz um refrão marcante e, além disso, exibe linhas e solos de guitarra primorosos. Já “Chain Child” poderia facilmente ter sido gravada pelo Saxon. O riff inicial soa como Paul Quinn nos bons tempos, enquanto a canção transborda intensidade e energia.

                                             



Na reta final, “Another Desire” aparece como uma daquelas faixas que parecem ter sido compostas no fim dos anos 1980 e, por algum motivo obscuro, permaneceram guardadas até agora. Se alguém surgisse contando uma história dessas, eu realmente acreditaria. O encerramento chega com “Run For Your Life”, mais uma composição com DNA sabático, mas, desta vez, contemplando o começo dos anos 1990, época do magnífico Dehumanizer (1992).

Um disco para quem não quer modernismos

Por todas as referências mencionadas, fica claro que não estamos diante de um disco dotado de originalidade ou contemporaneidade. A missão do Lion’s Share é outra: apresentar uma coleção de faixas que representam exatamente o que os amantes do Heavy Metal tradicional querem ouvir. No entanto, a banda faz isso com naturalidade, talento e paixão, e isso, inegavelmente, faz toda a diferença.

Inferno pode soar datado para uma parcela considerável dos fãs, mas, para aqueles que apreciam o estilo com certa dose de conservadorismo e não gostam de experimentações ou modernismos, esta é uma audição quase afrodisíaca. 


 Ouça Aqui! O



Nota: 9




Fonte: Mundometalbr.com




quinta-feira, 18 de junho de 2026

Resenha: Armored Saint — “Emotion Factory Reset” (2026)

 

Formado em Los Angeles em 1982, o Armored Saint surgiu como parte da resposta norte-americana à explosão da New Wave of British Heavy Metal (NWOBHM), movimento que posteriormente ficou conhecido como US Metal ou US Power Metal. Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, a banda construiu uma discografia tão consistente quanto difícil de rotular. Com exceção do álbum de estreia, “March Of The Saint” (1984), fortemente ancorado no Heavy Metal tradicional, cada trabalho subsequente apresentou características próprias e abordagens distintas. Embora todos os registros permaneçam dentro do universo do Heavy Metal, poucos grupos desenvolveram uma identidade sonora tão singular quanto a do Armored Saint. A banda sempre preferiu seguir seu próprio caminho, incorporando elementos mais modernos, acessíveis e contemporâneos sem perder sua essência.

Os dois discos de estúdio anteriores — “Win Hands Down” (2015) e “Punching The Sky” (2020) — evidenciaram essa característica ao combinar composições relativamente simples com uma personalidade marcante. Já em “Emotion Factory Reset”, apesar das declarações dos integrantes indicando uma proposta mais direta e conservadora, o DNA do grupo permanece intacto. A principal diferença em relação aos antecessores talvez esteja na ausência de faixas mais extensas e elaboradas, algo que marcou boa parte dos trabalhos recentes da banda.

Menos ambição estrutural, mesma identidade sonora

Com 11 músicas distribuídas ao longo de pouco mais de 48 minutos, “Emotion Factory Reset” aposta na objetividade. Quase todas as canções transitam entre três e quatro minutos de duração, privilegiando estruturas enxutas, refrãos memoráveis e linhas vocais de assimilação imediata. Quem aprecia um Heavy Metal mais épico ou tradicional pode estranhar essa abordagem em um primeiro momento. Por outro lado, os fãs veteranos do Armored Saint provavelmente encontrarão exatamente aquilo que esperam: canções diretas, carregadas de personalidade e conduzidas por uma execução impecável.

Entre os momentos mais rápidos e energéticos, destacam-se “Close To The Bone”, “Hit A Moonshot” e “Epilogue”, faixas que mantêm a intensidade elevada e mostram a banda em plena forma. Já “Every Man-Any Man”, “Compromise” e “Throwing Caution To The Wind” exploram uma faceta mais melódica e descontraída, remetendo ao espírito de clássicos cult como “Raising Fear” (1987) e “Symbol Of Salvation” (1991). Existem outros bons momentos espalhados pelo álbum, porém, à medida que a audição avança, surge uma sensação de familiaridade excessiva. Determinadas fórmulas acabam se repetindo com frequência, o que reduz um pouco o impacto de algumas composições. Não chega a comprometer a experiência, mas impede que o trabalho alcance voos mais altos.



Entre a eficiência das composições e a repetição de fórmulas

No aspecto técnico, os elogios são inevitáveis. John Bush continua sendo um dos vocalistas mais carismáticos e competentes do Heavy Metal, entregando uma performance certamente segura, versátil e cheia de personalidade. Instrumentalmente, o grupo também mantém o alto padrão habitual. A produção assinada por Joey Vera, aliada à mixagem de Jay Ruston e à masterização de Paul Logus, valoriza cada instrumento bem como preserva a identidade sonora que acompanha a banda há décadas.

Ao final da audição, fica a impressão de que tudo funciona exatamente como deveria. Os músicos executam suas funções com excelência, a produção é irrepreensível e várias faixas apresentam qualidade acima da média. Ainda assim, “Emotion Factory Reset” soa mais confortável do que inspirado. O Armored Saint optou por atuar integralmente dentro de sua zona de conforto e, embora isso não represente um defeito por si só, acaba limitando o potencial criativo do álbum. Faltam aqueles momentos verdadeiramente surpreendentes capazes de transformar um bom disco em uma obra memorável. É um lançamento sólido, agradável e digno da trajetória da banda, mas que dificilmente figurará entre os pontos mais altos de sua discografia.

Fonte: Mundometal.com

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Resenha: Metal Church – “Dead To Rights” (2026)

 


Poucas bandas atravessaram tantas turbulências quanto o Metal Church. Desde sua fundação, em 1982, o grupo norte-americano enfrentou mudanças constantes de formação, crises internas, oscilações no mercado fonográfico e até períodos de inatividade. Ainda assim, a banda sempre encontrou forças para se reinventar e seguir relevante dentro do universo do Heavy Metal tradicional.

Voltando alguns anos no tempo, após a saída do vocalista Ronny Munroe em 2014, a banda apostou no retorno de Mike Howe, cantor que marcou época no próprio Metal Church em álbuns clássicos como “Blessing In Disguise” (1989) e “The Human Factor” (1991). A volta foi recebida com entusiasmo pelos fãs, principalmente graças à qualidade de trabalhos como “XI” (2016) e “Damned If You Do” (2018), discos que recolocaram o grupo em evidência na cena headbanger.

Infelizmente, a trajetória sofreu mais um duro golpe em 2021, quando Mike Howe faleceu tragicamente. O acontecimento abalou profundamente a banda, que chegou a reconsiderar sua continuidade no cenário musical.

Reformulação e novo começo

Mesmo diante da perda, o grupo decidiu seguir em frente. Em 2023, lançou o competente “Congregation Of Annihilation”, já com Marc Lopes assumindo os vocais. Embora o álbum tenha agradado parte do público, os bastidores continuavam conturbados. A situação culminou em uma reformulação drástica promovida pelo líder e guitarrista Kurdt Vanderhoof, que anunciou em 2025 uma formação praticamente inédita. Dos integrantes anteriores, apenas ele e o guitarrista Rick van Zandt permaneceram. Para completar o lineup, entraram Ken Mary na bateria, o ex-Megadeth David Ellefson no baixo e o talentoso vocalista Brian Allen.

Reformulação e novo começo

Mesmo diante da perda, o grupo decidiu seguir em frente. Em 2023, lançou o competente “Congregation Of Annihilation”, já com Marc Lopes assumindo os vocais. Embora o álbum tenha agradado parte do público, os bastidores continuavam conturbados. A situação culminou em uma reformulação drástica promovida pelo líder e guitarrista Kurdt Vanderhoof, que anunciou em 2025 uma formação praticamente inédita. Dos integrantes anteriores, apenas ele e o guitarrista Rick van Zandt permaneceram. Para completar o lineup, entraram Ken Mary na bateria, o ex-Megadeth David Ellefson no baixo e o talentoso vocalista Brian Allen.


Peso, agressividade e nostalgia

Com o álbum completo finalmente disponível, restava saber se a qualidade apresentada nos singles se manteria durante a audição. Felizmente, a resposta é positiva e com pouquíssimas ressalvas. Mais do que sustentar o alto nível, o grupo entrega na maior parte do tempo composições com enorme potencial para se tornarem favoritas dos fãs e, dessa forma, marcando presença nos futuros shows ao vivo.

A abertura com “Brainwash Game” e “F.A.F.O.” funciona como uma verdadeira descarga de energia. Os riffs são inspirados, pesados e extremamente bem construídos, enquanto Brian Allen impressiona ao remeter, em vários momentos, ao saudoso David Wayne. Sua performance vocal adiciona identidade e personalidade às faixas, sem soar como mera imitação.

Na sequência, a faixa-título “Dead To Rights” surge como um dos pontos mais altos do disco. Mais cadenciada e carregada de peso, a música evidencia o excelente trabalho de baixo de David Ellefson, além de apresentar um refrão forte e memorável, daqueles feitos para serem cantados em coro.






Um retorno promissor

Logo depois, “Deep Cover Shakedown” mantém a intensidade em alta com passagens rápidas e uma atmosfera que remete diretamente aos primeiros anos da banda. Já “Feet To The Fire” desacelera momentaneamente o ritmo e aposta em melodias mais emotivas e introspectivas, funcionando como uma espécie de respiro antes da explosiva “The Show”, uma das composições mais agressivas e vibrantes do álbum.

Na reta final, “Heaven Knows (Slip Away)” entrega guitarras cavalgadas e um clima totalmente voltado ao Heavy Metal clássico. A excelente “No Memory” eleva ainda mais o nível com linhas melódicas muito bem encaixadas e grande senso de dinâmica. Encerrando o trabalho, “Wasted Time” mantém a consistência, enquanto “My Wrath” fecha a experiência de forma intensa e energética.

Embora exista uma leve queda de impacto na segunda metade do álbum, isso está longe de comprometer o resultado final. “Dead To Rights” é um disco sólido, honesto e extremamente competente, servindo como uma apresentação promissora dessa nova formação do Metal Church.

Agora, resta torcer para que a banda finalmente encontre estabilidade e consiga desenvolver todo o potencial demonstrado aqui. Pela qualidade técnica dos novos integrantes e pela química apresentada neste trabalho, existe espaço de sobra para voos ainda maiores nos próximos lançamentos.

Nota: 8,5


fonte: Mundometalbr.com

Resenha: Nervosa – “Slave Machine” (2026)

 


“Slave Machine” é o sexto álbum de estúdio da Nervosa e chegou às plataformas no dia 3 de abril via Napalm Records. O trabalho reúne 12 faixas distribuídas em pouco mais de 43 minutos e marca um momento importante na trajetória da banda: pela primeira vez, o grupo mantém a mesma formação em dois discos consecutivos. Assim, Prika Amaral (vocal e guitarra), Helena Kotina (guitarra), Hel Pyre (baixo) e Michaela Naydenova (bateria) repetem a parceria registrada em “Jailbreak” (2023), álbum frequentemente apontado como o ponto mais alto da fase recente da banda.

Antes de entrar propriamente na análise, vale explicar por que esta resenha demorou um pouco mais para sair. O primeiro motivo envolve justamente a enorme expectativa em torno do disco, especialmente no Brasil. Em casos assim, o “calor do momento” costuma gerar avaliações precipitadas e carregadas de empolgação — leia-se: elogios fáceis. Já o segundo motivo diz respeito à mudança sonora adotada pela banda. Quem acompanha a trajetória da Nervosa percebe rapidamente que “Slave Machine” abandona a essência do Thrash Metal mais tradicional para apostar em uma sonoridade moderna, aproximando-se com bastante afinco do Melodic Death Metal.    

                                         

Uma mudança pensada para o mercado

Essa transformação não aconteceu por acaso. Atualmente baseada na Grécia, a banda se encontra muito mais conectada ao circuito europeu de festivais e grandes turnês. Com o suporte da Napalm Records, a mudança de direcionamento soa estratégica e claramente pensada para ampliar o alcance do grupo em mercados onde estilos mais modernos possuem maior apelo comercial. Dessa forma, “Slave Machine” surge como uma tentativa de consolidar a Nervosa em um novo patamar internacional.

Embora exista uma nova geração resgatando o Thrash Metal old school com ótimos resultados, o mercado europeu continua favorecendo estilos mais acessíveis dentro do universo extremo. Consequentemente, bandas em ascensão acabam adaptando parte de sua identidade para sobreviver dentro desse cenário competitivo. Por isso, o novo álbum dificilmente agradará os fãs mais puristas do gênero. Em contrapartida, o disco provavelmente conquistará ouvintes mais jovens e alinhados à estética moderna do Metal europeu.

Na parte técnica, a produção ficou novamente nas mãos de Martin Furia, guitarrista do Destruction, mas algumas escolhas acabam prejudicando o resultado final. As constantes dobras vocais aplicadas à voz de Prika Amaral, por exemplo, aparecem em excesso e em determinados momentos causam certo desgaste durante a audição. Além disso, a mudança na timbragem das guitarras afeta diretamente a identidade do álbum. Os riffs cortantes e agressivos típicos do Thrash Metal deram espaço para bases mais pesadas e comprimidas, aproximando o som de bandas modernas do Melodic Death Metal. Como consequência, o talento de Helena Kotina acaba subaproveitado. Enquanto “Jailbreak” apresentava solos marcantes e linhas melódicas memoráveis, “Slave Machine” aposta em guitarras mais genéricas e menos inspiradas.

Um começo promissor

Apesar disso, o disco começa de maneira extremamente forte com a sequência formada por “Impending Doom”, “Slave Machine” e “Ghost Notes”. Mesmo dentro da nova proposta sonora, a banda entrega composições empolgantes nesse início. “Impending Doom” traz provavelmente o melhor riff do álbum, além de uma melodia viciante e um refrão extremamente eficiente. Já a faixa-título começa como um verdadeiro ataque de Thrash Metal, mas gradualmente incorpora elementos de Melodic Death Metal sem soar artificial. O resultado funciona muito bem e transforma a música em um dos grandes destaques do trabalho. Em seguida, “Ghost Notes” apresenta uma abordagem ainda mais moderna, antecipando o direcionamento predominante do restante do disco, embora mantenha momentos interessantes.

No entanto, a partir de “Beast Of Burden”, o álbum perde força consideravelmente. A audição passa a alternar entre faixas mornas, previsíveis e pouco inspiradas. Existem bons momentos isolados ao longo do caminho, mas eles não sustentam o mesmo nível apresentado na abertura. “You Are Not A Hero” acaba soando excessivamente genérica, embora os solos de Helena Kotina salvem parte da experiência. Em contrapartida, “Hate” surge como uma das melhores músicas do álbum graças aos ótimos riffs e à agressividade que aproxima um pouco a faixa da identidade clássica da banda.

Entre identidade e modernização

Na reta final, “The New Empire” reforça de vez a nova direção musical da Nervosa, equilibrando passagens de Thrash Metal com trechos claramente influenciados pelo Melodic Death Metal. “30 Seconds” segue a mesma fórmula, enquanto “Crawling For Your Pride” até apresenta boas ideias nas guitarras, mas não consegue elevar o nível do disco. Já “Learn Or Repeat” lembra em diversos momentos bandas como Arch Enemy, levantando inevitavelmente o questionamento sobre a personalidade da Nervosa.

Perto do encerramento, “The Call” aparece como um verdadeiro respiro, recuperando parte da agressividade visceral que sempre caracterizou a banda. Entretanto, o álbum termina com “Speak In Fire”, uma faixa apagada e sem grande impacto, encerrando o trabalho de maneira anticlimática e melancólica.

No fim das contas, “Slave Machine” representa claramente um ponto de transição na carreira da Nervosa. O disco possui potencial para ampliar significativamente o alcance da banda e aproximá-la de um público mais jovem e globalizado. Porém, ao mesmo tempo, sacrifica boa parte da personalidade construída nos trabalhos anteriores. A tentativa de modernização é compreensível dentro do cenário atual da indústria, mas a banda precisará encontrar um equilíbrio mais sólido entre identidade artística e exigências de mercado. Caso contrário, corre o risco de se tornar apenas mais um nome genérico que aponta sua bússola para caminhos convenientes.

Esperava mais…


Fonte: Mundometalbr.com