Hoje, os pioneiros do metal progressivo norueguês, Enslaved, têm a honra de revelar ‘Spirit Helper’, uma colaboração única e profundamente poderosa com Kevin Kicking Woman, um Ancião da Nação Blackfeet.
‘Spirit Helper’ nasceu, em parte, da relação da banda com o festival Fire In The Mountains, que acontece anualmente na Nação Blackfeet, em Montana (EUA). O Enslaved retornará ao festival no final deste mês para se apresentar. Abaixo, Ivar Bjørnson, do Enslaved, e Kevin Kicking Woman explicam o conceito e o longo processo de criação por trás da faixa.
Ouça ‘Spirit Helper’ aqui: enslaved.bfan.link/spirit-helper
Assista ao clipe de ‘Spirit Helper’ aqui:
Kevin Kicking Woman (vocais):
“As canções são a forma de conhecimento do povo Blackfoot. Elas expressam relacionamento e responsabilidade, pertencimento e prestação de contas. O propósito desta música é trazer uma expressão performática que dê significado à vida, conectando-nos aos universos por meio do cosmos, dos seres da terra, dos seres da água e dos seres espirituais. ‘Spirit Helper’ é a documentação física desse processo.”
Ivar Bjørnson (Enslaved) explica a história por trás de ‘Spirit Helper’:
“‘Spirit Helper’ começou a tomar forma muito antes de a música em si existir. Suas origens estão em anos de conversas, festivais, viagens e experiências compartilhadas que gradualmente conectaram pessoas, tradições, paisagens e comunidades.
Para o Enslaved, o caminho em direção a essa colaboração começou no Colorado, em 2019. Por meio da nossa família musical estendida — incluindo conexões compartilhadas com o Wardruna, nossa equipe de empresários de longa data e a comunidade que cerca o Fire in the Mountains — fomos apresentados a um dos organizadores do festival, Shane McCarthy, e à visão por trás do evento que eventualmente nos levaria à Nação Blackfeet, em Montana. O que inicialmente começou como conversas sobre apresentações e colaboração artística evoluiu lentamente para algo muito mais profundo: uma troca de perspectivas, histórias e tradições espirituais moldadas por muitas pessoas ao longo do caminho.
Essas conexões continuaram a crescer nos anos seguintes, tanto através do Fire in the Mountains quanto da comunidade ao redor da By Norse Music — o selo e plataforma artística fundada por membros do Enslaved e Wardruna, junto com nosso empresário Simon Füllemann. Através da By Norse, surgiram novos diálogos, encontros e intercâmbios culturais que ajudaram a criar as condições para que ‘Spirit Helper’ fosse possível.
Quando o Fire in the Mountains retornou em 2025 nas terras Blackfeet em East Glacier, Montana, esses laços se aprofundaram ainda mais. O festival reuniu artistas, organizadores, anciãos e membros da comunidade em um ambiente focado no diálogo, na música e na troca cultural. Fomos acolhidos em conversas e cerimônias que nos causaram um impacto profundo. Ao longo da história do Enslaved, a mitologia e as tradições espirituais sempre funcionaram como uma linguagem em nossa música — uma forma de conectar a experiência pessoal com a memória e a história humana mais profunda. Conhecer os membros da comunidade Blackfeet foi como encontrar outra expressão dessa mesma busca por significado, continuidade e conexão.
Durante o festival, conheci Nick Rink, da Nação Blackfeet, e através dele fui apresentado a Kevin Kicking Woman, ancião da Nação Blackfeet, cuja presença se tornou central para o desenvolvimento da música. Através dessas amizades — junto com a abertura e o incentivo demonstrados pela comunidade Blackfeet em geral e pelas pessoas por trás do Fire in the Mountains —, as conversas gradualmente se transformaram em confiança mútua e, eventualmente, na ideia de criarmos música juntos. Durante todo o processo, houve um entendimento compartilhado de que essa colaboração precisava ser abordada com honestidade, transparência e respeito.
Em um encontro posterior em Nova York, que contou com a presença de representantes da comunidade Blackfeet, do Fire in the Mountains, da Firekeeper Alliance e do Enslaved, Kevin compartilhou conosco uma canção tradicional de oração matinal — uma peça profundamente pessoal e espiritual que ele generosamente confiou a mim e ao Enslaved como base para uma nova composição. Reconheci imediatamente a responsabilidade que vinha com esse gesto. Em vez de simplesmente construir algo ao redor da contribuição de Kevin, tornou-se importante para mim permitir que a própria música se adaptasse ao pulso, ao ritmo e ao espírito já presentes na canção dele.
Nos meses seguintes, trabalhamos para encontrar uma linguagem musical onde esses mundos pudessem coexistir naturalmente — permitindo que o Enslaved continuasse totalmente fiel a si mesmo, enquanto honrávamos a cadência, o cerne emocional e a energia espiritual da oração de Kevin. O processo foi guiado não apenas pela colaboração em si, mas também pelo incentivo, diálogo e abertura demonstrados por toda a comunidade que cerca o projeto. Gradualmente, a música revelou sua própria identidade.
Esse processo finalmente se transformou em ‘Spirit Helper’.
Para nós, a música representa muito mais do que uma colaboração entre artistas de origens diferentes. Ela reflete o que pode acontecer quando as pessoas se encontram de peito aberto, escutam com atenção e se deixam transformar pelo encontro. A generosidade, a confiança e a sabedoria compartilhadas conosco por Kevin Kicking Woman, Nick Rink, a comunidade Blackfeet, o Fire in the Mountains, a Firekeeper Alliance, nossos parceiros da By Norse e todos que ajudaram a moldar essa jornada são coisas que carregamos com profunda gratidão.
No fim das contas, ‘Spirit Helper’ é uma música sobre conexão — entre o passado e o presente, tradições e pessoas, e os mundos espiritual e humano. Para o Enslaved, ela representa uma das jornadas musicais mais significativas que já realizamos.”
Nicholas Rink explica o significado e o simbolismo da arte de ‘Spirit Helper’:
“Vejo a onda azul clara na parte inferior como uma representação do oceano entre nós, mas também como a vibração de fundo da existência que conecta a todos nós e dá origem à vida e, claro, à própria música.
Imagino a linha vermelha nos conectando ao redor do globo, representando nossa humanidade compartilhada e nossa irmandade — a vida viva e pulsante em todos nós. A espiral amarela representa a música se movendo entre todas essas coisas.
As ‘Estrelas’ faziam parte da concepção original de Ivar e passaram a representar o poder e a fonte da música. O círculo negro com o raio representa o canto de Kevin e o poder espiritual que ele carrega, e o arco-íris de triângulos representa os músicos.
Eu queria incluí-los simbolicamente e achei que a figura tradicional do ‘homem-triângulo’ seria uma forma autêntica. Demorei um pouco para decidir como usá-la, mas finalmente me veio a ideia de prestar uma homenagem ao Dark Side of the Moon do Pink Floyd, incluindo as cores do arco-íris de uma forma única.
Tudo isso está sobre um mapa antigo da Noruega que minha avó guardou de uma edição antiga da revista National Geographic. Gosto de usar mapas porque a TERRA é fundamental para nos moldar, moldar nossa humanidade e a forma como nos expressamos.”
Sobre o Enslaved
Sem nunca vacilar, o icônico Enslaved continua a existir como um dos pilares mais originais e confiáveis da espinha dorsal indestrutível do nosso cenário musical. Donos da reputação de ser uma das bandas ao vivo mais eletrizantes da atualidade, eles nunca deixam de entregar talento do mais alto calibre, sempre fazendo justiça ao seu som característico que une o black metal ao progressivo. O Enslaved foi formado em 1991 por Ivar Bjørnson e Grutle Kjellson, lançando sua primeira demo, Yggdrasill, no verão de 1992, seu lendário mini-álbum Hordanes Land em 1993, e seu álbum de estreia, Vikingligr Veldi, na primavera de 1994.
O Enslaved vive uma fase estelar — uma banda em seu estado mais existencialista e autoconsciente, orgulhosos cidadãos de Bergen carregando a tocha da extraordinária história musical de sua cidade natal. Seus trabalhos mais recentes mostram o Enslaved em seu momento mais livre e milimetricamente pensado — uma combinação letal que desperta o furor de seus primeiros trabalhos, enquanto dança graciosamente por suas composições mais ambiciosas, marcantes e musicais até hoje. Uma contradição? A própria vida é uma contradição. E, ainda assim, todos vivemos para provar o contrário.
Enslaved
Ivar Bjørnson | Guitarras
Grutle Kjellson | Vocais
Arve ‘Ice Dale’ Isdal | Guitarra
Håkon Vinje | Teclados, vocais limpos
Iver Sandøy | Bateria
Fonte: Rockbrigade.com
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