terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

O Kreator não retornará às raízes: “Não estamos nos anos 80. Os velhos tempos acabaram”, diz Mille Petrozza

 


Se você é um daqueles fãs do Kreator que ainda sonham com uma volta ao passado e o resgate da sonoridade oitentista nos tempos áureos da banda, saiba que nunca mais terá isso novamente no Kreator, já que o vocalista Mille Petrozza deixou isso muito claro em uma nova entrevista ao Metal Global, enquanto discutia sobre o novo álbum “Krushers Of The World” que estreou recentemente em 16 de janeiro de 2026 pela Nuclear Blast Records.

Mas antes, ele abordou o processo de composição do novo material:

“Eu estava coletando ideias há muito tempo. Acho que comecei as demos em 2024, no início ou no verão de 2024, e terminei em abril de 2025. E foi quando mostrei minhas músicas para a banda. Eles não tinham ouvido nada antes disso e disseram: ‘Nossa, isso é rápido.’ Mas eu queria evitar o fato de que, no álbum ‘Hate Über Alles’, tivemos a pandemia, então tivemos que paralisar tudo e tínhamos todas as músicas prontas há um ano, mas não pudemos lançá-las porque não tínhamos permissão para fazer turnê. Portanto, eu queria evitar a situação de conviver com as músicas por muito tempo e queria mantê-las frescas. Então, toquei as músicas para minha banda em abril e entramos no estúdio de gravação em maio. Tivemos cinco semanas de ensaios e depois fomos direto para o estúdio, então tudo estava fresco. Para eles, era tudo como material novo, e todos contribuíram. E eu realmente gostei do resultado.”

Quando o entrevistador Jorge Botas observou que o novo disco não é puramente um disco de Thrash Metal, Mille concordou e acrescentou:

“Eu amo metal. Amo thrash metal. Amo death metal. Amo black metal. Amo todos os tipos de metal, mas também amo todos os tipos de música. Então, para mim, tocar metal, estar em uma banda de metal, sempre tento encontrar uma maneira de ser metal e ser Kreator, mas também incorporar influências de outros gêneros e talvez grooves diferentes, vibrações diferentes, em vez de simplesmente lançar um álbum de thrash metal do começo ao fim. Quer dizer, poderíamos fazer isso — potencialmente, sim — mas ficaríamos entediados e não viria do coração. E acho que às vezes, quando você ouve alguns dos discos que estão sendo lançados, é como se as pessoas estivessem forçando o old school, forçando tudo a soar como nos anos 80. Mas não estamos nos anos 80. Ainda podemos ter influências dos anos 80 e somos uma banda que começou nos anos 80, mas, para mim, pessoalmente, eu me sentiria muito decepcionado se tivéssemos que fazer um álbum que fosse só thrash do começo ao fim. É só eu. E se você ouvir nossos trabalhos anteriores… álbuns, nunca é assim. Sempre houve um certo equilíbrio.”

Em seguida, Mille refletiu sobre os fãs que continuam se queixando a cada novo disco lançado pela banda e descartou a possibilidade de um retorno às “raízes”:

“Eu entendo do ponto de vista emocional, porque quando você gosta de música e é um nerd da música, tudo é emoção, são ondas, harmonias e batidas belíssimas, a unidade e tudo o que o metal. E é lindo. É incrível. Mas os velhos tempos acabaram. Nunca mais vamos ter isso de volta. E quando você vai a um show do Kreator ou talvez de outras bandas, bandas de metal, que ainda estão na ativa desde os anos 80, você revive isso por um tempinho quando as bandas antigas tocam músicas antigas. Você revive isso por um tempo. Mas tentar forçar as pessoas a gostarem de algo… eu não consigo; simplesmente não conseguiria… Mas eu meio que entendo quando, surpreendentemente, existe um público jovem que tenta fazer com que as bandas antigas soem como nos anos 80. Mas eu sou igual. Se eu vou ver o Fields of the Nephlim ou o The Sisters of Mercy, eu quero, claro, que eles toquem as músicas antigas. Mas não me importo com as músicas novas. Também estou aberto a ouvir as músicas novas.”

Fonte: Mundometalbr.com

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