Outros músicos como Steve Morse, Gary Holt e Jack Gibson também estiveram refletindo sobre este cenário preocupante em entrevistas recentes.
Perguntado sobre as oportunidades na indústria musical nos dias atuais, Misha enfatizou que as bandas precisam ter outras fontes de renda, e que devem começar a se mobilizar sobre isso cedo:
“Eu diria que isso é mais relevante do que nunca. As pessoas sempre entenderam errado a mensagem do que eu digo. Eu dei aquela entrevista para o Rick Beato, e meu ponto foi: ‘Vocês vão precisar de fontes de renda alternativas, fluxos de receita’, e isso leva um tempo para construir e dar frutos, se é que vai dar algum fruto. Então, comecem cedo. Isso é algo que fizemos desde o início, e qualquer banda se beneficiaria ao saber dessa informação desde o começo.
Ser apenas um músico não é suficiente para a maioria das pessoas. Se for, ótimo. Mas meu conselho continua o mesmo. As pessoas sempre interpretaram como: ‘Ah, o Misha está reclamando que não ganha dinheiro com o Periphery’.
Não, eu não me importo de não ganhar dinheiro com o Periphery, porque eu o uso como um núcleo para todas as minhas outras coisas que me dão dinheiro, para que eu possa ter uma vida. Eu comecei essas coisas bem cedo, e se não tivesse começado, provavelmente já teria saído da banda, porque não teria condições de continuar.”
Ele continuou:
“Eu acho que hoje em dia, não sei como as bandas que dependem apenas da banda vão sobreviver nos próximos anos. Eis o porquê. Talvez você saiba disso por fazer turnês, mas o custo de tudo dobrou ou triplicou. Tudo.”
Após a pandemia da Covid-19 em 2020, os custos das turnês aumentaram consideravelmente. Tanto bandas pequenas quanto bandas grandes sofreram os impactos disso; evidentemente, bandas grandes e consagradas mundialmente e que já se tornaram empresas de sucesso, sofreram em menor grau.
Quanto às bandas de abertura, a situação é ainda mais grave, segundo Misha. Ele explica:
“As bandas de abertura precisam de muito mais do que valem e, quando digo ‘valem’, existem dados concretos. Você pode ver os números delas na turnê; isso não é emocional, são dados puros.
Elas querem mais do que valem, mas o motivo é que ficam insolventes se não receberem essa quantia. Então, não estou julgando-as de forma alguma, essa é apenas a realidade da situação. Então, agora, em ambos os lados, simplesmente não há dinheiro suficiente para todos.”
Ele concluiu dizendo:
“E, basicamente, como todo mundo que está em uma banda sabe, você é o último a ser pago… Então, o que sobra para a banda geralmente é pouco ou nada. Todos os outros são pagos, e devem ser pagos, porque estão trabalhando muito duro. Há muito pouco para distribuir. Então, não sei como as bandas vão sobreviver a isso sem que algo mude, e eu realmente não sei o que seria. Os próximos anos serão bem difíceis para bandas sem fontes de renda alternativas.”
Fonte: Mundometalbr.com
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