segunda-feira, 18 de maio de 2026

Resenha: Metal Church – “Dead To Rights” (2026)

 


Poucas bandas atravessaram tantas turbulências quanto o Metal Church. Desde sua fundação, em 1982, o grupo norte-americano enfrentou mudanças constantes de formação, crises internas, oscilações no mercado fonográfico e até períodos de inatividade. Ainda assim, a banda sempre encontrou forças para se reinventar e seguir relevante dentro do universo do Heavy Metal tradicional.

Voltando alguns anos no tempo, após a saída do vocalista Ronny Munroe em 2014, a banda apostou no retorno de Mike Howe, cantor que marcou época no próprio Metal Church em álbuns clássicos como “Blessing In Disguise” (1989) e “The Human Factor” (1991). A volta foi recebida com entusiasmo pelos fãs, principalmente graças à qualidade de trabalhos como “XI” (2016) e “Damned If You Do” (2018), discos que recolocaram o grupo em evidência na cena headbanger.

Infelizmente, a trajetória sofreu mais um duro golpe em 2021, quando Mike Howe faleceu tragicamente. O acontecimento abalou profundamente a banda, que chegou a reconsiderar sua continuidade no cenário musical.

Reformulação e novo começo

Mesmo diante da perda, o grupo decidiu seguir em frente. Em 2023, lançou o competente “Congregation Of Annihilation”, já com Marc Lopes assumindo os vocais. Embora o álbum tenha agradado parte do público, os bastidores continuavam conturbados. A situação culminou em uma reformulação drástica promovida pelo líder e guitarrista Kurdt Vanderhoof, que anunciou em 2025 uma formação praticamente inédita. Dos integrantes anteriores, apenas ele e o guitarrista Rick van Zandt permaneceram. Para completar o lineup, entraram Ken Mary na bateria, o ex-Megadeth David Ellefson no baixo e o talentoso vocalista Brian Allen.

Reformulação e novo começo

Mesmo diante da perda, o grupo decidiu seguir em frente. Em 2023, lançou o competente “Congregation Of Annihilation”, já com Marc Lopes assumindo os vocais. Embora o álbum tenha agradado parte do público, os bastidores continuavam conturbados. A situação culminou em uma reformulação drástica promovida pelo líder e guitarrista Kurdt Vanderhoof, que anunciou em 2025 uma formação praticamente inédita. Dos integrantes anteriores, apenas ele e o guitarrista Rick van Zandt permaneceram. Para completar o lineup, entraram Ken Mary na bateria, o ex-Megadeth David Ellefson no baixo e o talentoso vocalista Brian Allen.


Peso, agressividade e nostalgia

Com o álbum completo finalmente disponível, restava saber se a qualidade apresentada nos singles se manteria durante a audição. Felizmente, a resposta é positiva e com pouquíssimas ressalvas. Mais do que sustentar o alto nível, o grupo entrega na maior parte do tempo composições com enorme potencial para se tornarem favoritas dos fãs e, dessa forma, marcando presença nos futuros shows ao vivo.

A abertura com “Brainwash Game” e “F.A.F.O.” funciona como uma verdadeira descarga de energia. Os riffs são inspirados, pesados e extremamente bem construídos, enquanto Brian Allen impressiona ao remeter, em vários momentos, ao saudoso David Wayne. Sua performance vocal adiciona identidade e personalidade às faixas, sem soar como mera imitação.

Na sequência, a faixa-título “Dead To Rights” surge como um dos pontos mais altos do disco. Mais cadenciada e carregada de peso, a música evidencia o excelente trabalho de baixo de David Ellefson, além de apresentar um refrão forte e memorável, daqueles feitos para serem cantados em coro.






Um retorno promissor

Logo depois, “Deep Cover Shakedown” mantém a intensidade em alta com passagens rápidas e uma atmosfera que remete diretamente aos primeiros anos da banda. Já “Feet To The Fire” desacelera momentaneamente o ritmo e aposta em melodias mais emotivas e introspectivas, funcionando como uma espécie de respiro antes da explosiva “The Show”, uma das composições mais agressivas e vibrantes do álbum.

Na reta final, “Heaven Knows (Slip Away)” entrega guitarras cavalgadas e um clima totalmente voltado ao Heavy Metal clássico. A excelente “No Memory” eleva ainda mais o nível com linhas melódicas muito bem encaixadas e grande senso de dinâmica. Encerrando o trabalho, “Wasted Time” mantém a consistência, enquanto “My Wrath” fecha a experiência de forma intensa e energética.

Embora exista uma leve queda de impacto na segunda metade do álbum, isso está longe de comprometer o resultado final. “Dead To Rights” é um disco sólido, honesto e extremamente competente, servindo como uma apresentação promissora dessa nova formação do Metal Church.

Agora, resta torcer para que a banda finalmente encontre estabilidade e consiga desenvolver todo o potencial demonstrado aqui. Pela qualidade técnica dos novos integrantes e pela química apresentada neste trabalho, existe espaço de sobra para voos ainda maiores nos próximos lançamentos.

Nota: 8,5


fonte: Mundometalbr.com

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