Depois de todos os acontecimentos que envolveram Jon Schaffer nos últimos anos, o líder do Iced Earth começa, enfim, a dar sinais de que um retorno mais consistente à música pode acontecer antes do que muitos imaginavam. Em entrevista recente, o guitarrista inclusive confirmou que segue escrevendo material inédito e trabalhando em novas composições. Embora tenha deixado claro que essas músicas serão gravadas e lançadas apenas “no momento apropriado”, podemos considerar um ponto de partida.
Enquanto esse novo capítulo não chega, Schaffer concentra seus esforços na divulgação de “Sons Of Liberty – Thought Crimes (Volumes 1 & 2)”, relançamento que reapresenta o álbum “Brush-fires Of The Mind” (2009) e o EP “Spirit Of The Times” (2011) em versões completamente atualizadas.
Nova edição traz remixagem, bateria inédita e formatos especiais
A nova coletânea já está disponível nas plataformas de streaming e reúne material remasterizado do projeto Sons Of Liberty, iniciativa criada por Jon Schaffer paralelamente às atividades de bandas como Iced Earth, Demons & Wizards, Jon Schaffer’s Purgatory e Schaffer/Barlow.
O lançamento físico acontecerá em 4 de julho de 2026 através da gravadora The Circle Music, data escolhida por coincidir com o aniversário de 250 anos da assinatura da Declaração de Independência dos Estados Unidos. Assim, a edição contará com vinil duplo gatefold em cinco cores diferentes — incluindo uma tiragem limitada de apenas 100 cópias exclusivas da loja oficial de Iced Earth — além de CD em caixa de couro de luxo, edição digipak e fita cassete.
Originalmente, os registros de “Brush-fires Of The Mind” e “Spirit Of The Times” utilizaram bateria programada como forma de reduzir custos de produção. Segundo o próprio músico, o objetivo nunca foi transformar o projeto em um produto comercial tradicional, mas sim disponibilizar as canções livremente para compartilhamento e disseminação de suas ideias.
A proposta conceitual de Sons Of Liberty
Desde o início, o Sons Of Liberty surgiu como um projeto centrado em temas políticos, sociais e filosóficos primordialmente ligados à liberdade individual, críticas ao autoritarismo e questionamentos sobre sistemas financeiros e governamentais. As letras exploram conceitos relacionados à soberania individual, vigilância estatal, manipulação midiática e direitos civis.
A nova divulgação do projeto enfatiza que a proposta não busca alinhamento partidário específico, mas sim provocar reflexão sobre liberdade, autonomia e responsabilidade individual. Dentro desse contexto, Schaffer descreve o trabalho como uma defesa de princípios pró-liberdade e anti-autoritarismo.
Além da nova mixagem assinada por Jim Morris, o material recebeu baterias inéditas gravadas por Mark Prator, músico certamente conhecido por suas colaborações clássicas com Iced Earth em discos como “The Dark Saga” e “Something Wicked This Way Comes”, além do debut de Demons & Wizards.
“Full Spectrum Dominance” ganha videoclipe oficial
Como parte dessa nova fase, Jon Schaffer lançou o videoclipe oficial de “Full Spectrum Dominance”, produzido pela DazVideos. A faixa integra “Sons Of Liberty – Thought Crimes (Volumes 1 & 2)” e, dessa forma, aparece como uma das músicas centrais do repertório atualizado.
Na edição em CD, “Full Spectrum Dominance” ocupa a segunda posição do tracklist:
- Jekyll Island
- Full Spectrum Dominance
- False Flag
- Our Dying Republic
- Molon Labe
- Indentured Servitude
- Feeling Helpless?
- Don’t Tread On Me
- The Cleansing Wind
- Mind Control
- Alive
- Tree Of Liberty
- Spirit Of The Times
- We The People
- Jekyll Island (Full Version)
Já na edição em vinil, a música aparece na terceira face do álbum, acompanhada de “Alive”, “Molon Labe”, “Mind Control” e “Spirit Of The Times”.
Jon Schaffer declarou:
“Sons Of Liberty sempre foi pensado para ser mais do que música; era um chamado ao despertar e uma tentativa de acender fagulhas de liberdade nas mentes daqueles que têm ouvidos para ouvir.
Aqueles que me conhecem sabem que não estou aqui para agradar a todos — nem com minha música, nem com meus ideais e princípios. Respeito o direito dos outros de discordarem e de se expressarem livremente. Defenderei os direitos deles, especialmente quando eu discordar fortemente do que pensam. Essa é a pedra fundamental da liberdade. Não é tão impressionante defender pessoas que compartilham das suas crenças e concordam com você. Você valoriza a liberdade a ponto de permitir que os outros vivam como escolherem, desde que não agridam ninguém? Essa é uma pergunta legítima sobre a qual todos deveríamos refletir.
Meu desejo com o primeiro álbum do Sons Of Liberty, em 2009, era inspirar as pessoas a se informarem. Quando essas músicas foram lançadas pela primeira vez, eu queria expor os sistemas financeiros e políticos que prosperam através da agressão e subjugam nossa liberdade pessoal. Dezessete anos depois, a mensagem se tornou ainda mais relevante, e a situação ainda mais urgente.
A adição da bateria de Mark Prator e a nova mixagem de Jim Morris finalmente deram a essas faixas a força sonora que elas merecem. Ambos detonaram completamente. Não soa mais como uma demo. A arte também representa um enorme avanço em relação às originais. Lá em 2009, eu não tinha nenhuma visão de como seria a capa de ‘Brush-fires’. Foi a primeira e única vez na minha carreira em que isso aconteceu. Desta vez, porém, a ideia veio claramente para mim, e acredito que seja uma das melhores capas de todo o meu catálogo. Roy Young e David Newman Stump fizeram um trabalho fantástico.
O sistema tentou silenciar e cancelar essa música porque ela fala verdades desconfortáveis, mas não se pode cancelar o espírito da liberdade. Ainda não. Os agressores estão trabalhando duro para destruir nossa capacidade de discernimento, nos distrair, nos dividir e, no fim, nos conquistar. Esta coleção de músicas é para todos aqueles que se recusam a ser meros espectadores na luta pela própria soberania.
Estou sempre aprendendo, e sempre disposto a ser convencido de que outro ponto de vista é um caminho melhor a seguir. Traga um argumento razoável, e estarei disposto a ouvir. Ao longo dos anos, amadureci e mudei minhas opiniões à medida que aprendo, mas meus princípios permanecem. Não consigo enxergar outro caminho viável para a paz além da liberdade. Penso muito sobre essas questões e as discuto profundamente com meus amigos. É minha convicção firme que o coletivismo, quando imposto pelo Estado, em qualquer forma, é mais perigoso para nossas liberdades do que um exército invasor. Trocar nossa liberdade por ‘segurança’ nunca terminou bem. Nunca.
No futuro, minha intenção é escrever um novo capítulo da música do Sons focado no que acredito ser a solução. Até lá, como um grande amigo e mentor costuma dizer… Não agrida. Seja um excelente ser humano. Viva e deixe viver.
Paz. Jon”
Fonte: Mundometalbr.com
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