terça-feira, 26 de maio de 2026

Kreator resgata a violência Thrash dos anos 80 com setlist especial e raro no Maryland Deathfest

 

Poucas bandas veteranas do universo do Thrash Metal conseguem atravessar décadas mantendo relevância artística sem depender exclusivamente da nostalgia. O Kreator faz parte desse seleto grupo. A fase iniciada com “Violent Revolution” reposicionou os alemães no topo do gênero e criou uma nova geração de fãs que acompanha atentamente cada lançamento do grupo liderado por Mille Petrozza. Desde então, discos modernos como “Phantom Antichrist”, “Gods Of Violence” e o recente “Krushers Of The World” passaram a ocupar espaço privilegiado nos shows da banda.

Por conta disso, o Kreator raramente constrói apresentações voltadas exclusivamente ao material clássico dos anos 80. Pelo contrário: em muitos momentos, os fãs mais antigos chegam até a sentir certa ausência de composições fundamentais daquela fase brutal e caótica que ajudou a moldar o Thrash Metal alemão. Justamente por isso, o show realizado no Maryland Deathfest 2026 acabou se tornando um acontecimento especial dentro da trajetória recente da banda.

Uma celebração completa da fase mais extrema do Kreator

Aproveitando o contexto do festival norte-americano — tradicionalmente voltado ao Metal extremo — o Kreator decidiu montar um repertório praticamente inteiramente dedicado aos seus trabalhos mais agressivos da década de 1980. O grupo mergulhou de cabeça no Thrash com faixas de álbuns como “Endless Pain”, “Pleasure To Kill”, “Terrible Certainty”, “Extreme Aggression” e “Coma Of Souls”, deixando de lado quase toda a produção moderna.

O resultado foi um setlist recheado de faixas cultuadas pelos fãs mais antigos, incluindo várias músicas que raramente aparecem nas turnês convencionais da banda. Assim, em alguns momentos, o show assumiu um clima quase de culto underground, remetendo diretamente ao período em que o Kreator ajudava a consolidar o Thrash Metal europeu ao lado de nomes como Sodom, Destruction e Tankard.

O repertório executado pelo Kreator no festival foi o seguinte:

  1. “Ripping Corpse”
  2. “Awakening Of The Gods” (primeira metade)
  3. “Love Us Or Hate Us”
  4. “Extreme Aggression”
  5. “Riot Of Violence”
  6. “Total Death” (primeira metade)
  7. “People Of The Lie”
  8. “Betrayer”
  9. “When The Sun Burns Red”
  10. “The Pestilence”
  11. “Terrible Certainty”
  12. “Endless Pain”
  13. “Tormentor”

Além da escolha das músicas, chamou atenção a ausência quase completa de faixas recentes. Sendo assim, para muitos fãs presentes no festival, o show funcionou como uma viagem direta aos anos mais violentos e sombrios da carreira do grupo alemão.



Mesmo olhando para o passado, o Kreator segue vivendo grande fase

Curiosamente, esse mergulho nostálgico aconteceu justamente em um momento extremamente positivo da carreira do Kreator. O décimo sexto álbum de estúdio da banda, “Krushers Of The World”, chegou ao mercado em janeiro de 2026 através da Nuclear Blast e inegavelmente recebeu ótima repercussão entre público e crítica especializada.

O trabalho foi gravado no Fascination Street Studios, na Suécia, sob produção de Jens Bogren, colaborador conhecido dos discos “Phantom Antichrist” e “Gods Of Violence”. Já a capa ficou nas mãos do artista polonês Zbigniew Bielak, famoso por trabalhos com o Ghost.

Antes do lançamento do álbum, o grupo apresentou singles como “Seven Serpents”, “Tränenpalast” e “Satanic Anarchy”. A faixa “Tränenpalast” ainda contou com participação especial de Britta Görtz, reforçando inclusive a conexão do Kreator com a nova geração do Metal extremo.

Na sequência, a banda embarcou em uma grande turnê europeia ao lado de Carcass, Exodus e Nails, passando por 20 países diferentes. Depois disso, os alemães seguiram para uma nova excursão pelos Estados Unidos, incluindo festivais como Welcome To Rockville, Sonic Temple, bem como o próprio Maryland Deathfest.

Fora dos palcos, o nome de Mille Petrozza também segue em evidência. O documentário oficial da banda, “Hate & Hope”, estreou em 2025 no Munich International Film Festival, enquanto a autobiografia do músico, “Your Heaven, My Hell – Mein Leben, Heavy Metal Und Wie Das Alles Passieren Konnte”, chegou às livrarias alemãs no mesmo ano.


Fonte: Mundometalbr.com

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