O guitarrista Frank Blackfire, atualmente integrante do Sodom, voltou a comentar publicamente o período de hiato anunciado pela banda e deixou claro seu desconforto com a decisão. Nos últimos meses, o líder Tom Angelripper explicou que precisa de um tempo de descanso, o que levou o grupo alemão a interromper temporariamente as atividades ao vivo. No entanto, para Frank, a situação gera frustração, sobretudo diante do excelente momento criativo vivido pela banda.
Nos últimos anos, o Sodom lançou trabalhos muito bem recebidos pela crítica e pelos fãs de Thrash Metal. Álbuns como Genesis XIX e o recente The Arsonist alcançaram grande destaque e figuraram no topo de listas especializadas. E isso inclui o primeiro lugar entre os melhores do ano em seus respectivos lançamentos no site Mundo Metal. Por isso, o guitarrista entende que o grupo vive uma fase que naturalmente pediria maior presença nos palcos.
Para Frank Blackfire, lançar um disco forte e não sair em turnê para divulgá-lo soa como um desperdício de energia criativa. Segundo ele, o contato com o público e a execução das músicas ao vivo fazem parte essencial do ciclo de um álbum. E especialmente quando o material apresenta alto nível artístico e boa aceitação entre os fãs, como é o caso.
Entre a frustração com o Sodom e a necessidade de seguir ativo
Mesmo respeitando a decisão de Tom Angelripper, Frank não esconde o desapontamento. Em suas declarações mais recentes ao canal RapidMetalFire, o guitarrista reforça que sempre acreditou que um novo álbum deve ser acompanhado de shows, festivais e, se possível, uma turnê completa. Para ele, o palco representa a principal vitrine da música pesada e um espaço insubstituível de troca com o público.
Diante desse cenário, Frank Blackfire decidiu manter-se ativo de outras formas. Atualmente, ele dedica o seu tempo ao seu projeto solo, Frank Blackfire, com o qual vem buscando shows em clubes e presença em festivais menores. Embora reconheça que o alcance seja menor do que o do Sodom, o músico se mostra satisfeito com a resposta do público e com o interesse crescente por seu trabalho autoral.
Além disso, o guitarrista segue compondo material novo e já trabalha em músicas para um próximo álbum solo. Para Frank, manter-se criativo e em atividade não é apenas uma escolha artística, mas também uma necessidade prática, já que ele vive exclusivamente de música e prefere evitar qualquer afastamento prolongado dos palcos.
Veja a fala completa de Frank Blackfire:
“Com o Sodom, lançamos recentemente o ‘The Arsonist’, foi em — julho, acho. Então, lançamos um álbum novo e nada acontece com o Sodom. E isso é uma pena. Eu não sei… Se você lança um álbum novo, acho que quer sair para tocar ao vivo, fazer uma turnê ou pelo menos tocar em algum lugar — festivais, pelo menos, ou algo assim. Mas eu não sei. Por que lançar um álbum novo e não tocar ao vivo? Acho que isso é um tipo de desperdício do álbum. Então, sim, é realmente uma pena, mas o que dá para fazer? Por isso, continuo ativo. Estou trabalhando duro agora, tentando conseguir shows, festivais, escrevendo material novo para um novo álbum, um novo álbum do Frank Blackfire. Espero conseguir lançá-lo no ano que vem. E estamos de muito bom humor na banda. Também fico surpreso que as pessoas estejam interessadas nos shows do Frank Blackfire. Claro que tudo é um pouco menor do que com o Sodom — tocamos em clubes pequenos e festivais menores —, mas estou muito feliz. E preciso continuar, porque isso é o meu sustento. Preciso ganhar dinheiro para sobreviver, porque vivo de música. Preciso tirar meu sustento disso. Ainda estou aqui. Não quero arrumar um emprego comum ou algo assim. Ninguém vai me contratar com quase 60 anos de idade. Eles não vão me contratar. E, de qualquer forma, o que eu deveria fazer? A única coisa é dar aulas de guitarra, aulas de música, qualquer coisa desse tipo — é isso que vou fazer. Ou qualquer coisa que tenha a ver com guitarras ou música em geral. Até ajudar outras bandas, eu faria isso também, se fosse algo interessante. E é assim que estou sobrevivendo agora.”
Uma carreira marcada por clássicos do Thrash Metal
A trajetória de Frank Blackfire no Thrash Metal é extensa e respeitada. Ainda jovem, ele entrou para o Sodom e participou de registros fundamentais do gênero, como Persecution Mania e Agent Orange, este último responsável por levar a banda às paradas alemãs e consolidar seu nome internacionalmente. Esses trabalhos ajudaram a definir a sonoridade agressiva e direta do grupo no fim dos anos 1980.
Após deixar o Sodom, Frank integrou o Kreator, outra instituição do metal extremo alemão. Com a banda, gravou álbuns importantes como Coma of Souls, Renewal e Cause for Conflict, ampliando ainda mais sua influência e consolidando seu estilo de guitarra rápido, cortante e reconhecível.
Hoje, ao se aproximar dos 60 anos, Frank Blackfire segue demonstrando disposição e paixão pela música. Mesmo diante do hiato do Sodom, ele prefere olhar para frente, investir em novos projetos e continuar presente nos palcos. Para o guitarrista, parar simplesmente não é uma opção, especialmente quando ainda existe muito a ser dito — e tocado — dentro do Thrash Metal.
Fonte: Mundometalbr.com
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