terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Lições de um fracasso alheio: Olhando para o Van Halen, o Helloween blindou sua reunião contra o ego

 

Andi Deris revela que o exemplo negativo do Van Halen foi decisivo para manter foco, respeito e longevidade na fase atual da banda alemã

O vocalista Andi Deris voltou a comentar a bem-sucedida reunião do Helloween com Kai Hansen e Michael Kiske, destacando que o processo exigiu mais do que boa vontade ou entusiasmo dos fãs. Em entrevista ao Wanted Record, o cantor explicou que a banda sempre teve clareza sobre os riscos envolvidos ao unir diferentes fases e personalidades sob o mesmo projeto.

De acordo com Andi Deris, a principal referência veio de fora do universo do heavy metal. O músico citou o Van Halen como um exemplo claro de como uma reunião muito aguardada pode naufragar quando egos falam mais alto. Mesmo com dois vocalistas lendários e uma história incontestável, o grupo americano não conseguiu sustentar a experiência.

Para o frontman do Helloween, aquela tentativa frustrada certamente serviu como um alerta. O Van Halen tinha tudo para dar certo: uma base gigantesca de fãs, inúmeros clássicos e Eddie Van Halen, um dos guitarristas mais influentes da história do rock. Ainda assim, conflitos internos impediram qualquer continuidade e, anos depois, nem mesmo um simples show tributo ao músico foi feito.

Foi justamente esse cenário que moldou a postura do Helloween desde as primeiras conversas sobre a reunião. Deris explicou que a banda deixou claro, desde o início, que não poderia repetir erros alheios. Em vez de disputas internas, o grupo apostou em diálogo, respeito mútuo, bem como em um objetivo comum bem definido.


Foco coletivo acima de vaidades

Essa mentalidade se refletiu diretamente na turnê Pumpkins United, que marcou o retorno de Michael Kiske aos palcos com a banda após décadas. A resposta do público foi imediata e avassaladora, com shows lotados e uma atmosfera de celebração que rapidamente mostrou que aquela união tinha algo especial.

O sucesso da turnê não ficou restrito ao aspecto nostálgico. Animado com a química entre os integrantes, o Helloween decidiu seguir em frente como septeto e entrou em estúdio. O resultado foram dois álbuns que consolidaram essa nova fase, mostrando que a reunião também funcionava criativamente

Nos últimos anos, a banda alemã manteve um ritmo consistente de atividades, equilibrando clássicos do passado com material inédito e reafirmando sua relevância dentro do metal. A maturidade dos músicos e a ausência de disputas internas se tornaram marcas evidentes dessa fase.

Para Andi Deris, a comparação com o Van Halen segue inclusive como uma lição permanente. Talento e história não garantem harmonia, e forçar convivências pode destruir até os maiores sonhos dos fãs. O Helloween, ao aprender com esse fracasso, escolheu um caminho mais consciente.

Hoje, ao celebrar quatro décadas de carreira, o Helloween colhe os frutos dessa postura. A banda não apenas preservou seu legado, como também conseguiu ampliá-lo, provando que foco coletivo e respeito são tão importantes quanto grandes músicas.


Fonte: Mundometalbr.com

Um comentário:

Cabral disse...

Reuniões sao sempre boas, mas Helloween ja passou de Reunião e uma excelente formação