O uso da inteligência artificial na música segue como um dos temas mais controversos da indústria atual. Enquanto parte do público enxerga a tecnologia como uma ferramenta promissora, muitos artistas levantam alertas importantes sobre ética, autoria e compensação. Nos últimos meses, casos como o da música “Walk My Walk”, do projeto virtual Breaking Rust, que chegou ao topo da Billboard Country Digital Song Sales antes de ser identificada como uma criação artificial, reforçaram o debate e ampliaram o desconforto entre músicos profissionais.
Nesse contexto, cresce a preocupação porque essas faixas são geradas a partir de enormes bancos de dados compostos por obras criadas por artistas humanos. Esses catálogos alimentam algoritmos de forma aleatória, sem qualquer tipo de autorização ou retorno financeiro para os criadores originais. Por isso, cada vez mais vozes defendem a necessidade de regulamentação e de limites claros para o uso da tecnologia. Ainda mais quando ela começa a competir diretamente com músicos reais.
Foi nesse cenário que Max Cavalera, músico conhecido por sua trajetória marcante no heavy metal, comentou o tema durante sua participação no podcast RRBG. Ao longo da entrevista, o vocalista e guitarrista destacou que, apesar do avanço tecnológico, a inteligência artificial não consegue replicar a química criativa que nasce da interação humana, especialmente nas colaborações que marcaram sua carreira.
A alma da música não se programa
Segundo Max Cavalera, a inteligência artificial falha justamente onde a música se torna mais verdadeira: na troca emocional entre artistas. Ele citou parcerias com nomes como Dino Cazares, Chino Moreno e Tom Araya para ilustrar como a criatividade surge de vivências, personalidade e conexão, algo que nenhum algoritmo consegue simular de forma genuína. Para o músico, o que a tecnologia entrega não passa de uma cópia sem profundidade, distante da intensidade que define uma criação real.
Mesmo assim, Max evita uma postura totalmente contrária à tecnologia. Ele reconhece que a inteligência artificial pode ter aplicações positivas se for usada de maneira responsável e complementar, sem substituir o papel central do artista. Na visão do músico, o futuro pode apontar para uma convivência entre humanos e máquinas, desde que a essência criativa permaneça intacta.
Paralelamente a essas reflexões, Max Cavalera segue ativo à frente do Soulfly, banda que fundou após sua saída do Sepultura. Desde o final dos anos 1990, o grupo consolidou uma identidade própria ao misturar metal extremo, influências tribais e elementos do groove metal, tornando-se uma das forças mais consistentes do gênero ao longo das décadas.
O momento atual da banda reflete essa longevidade criativa. O álbum Chama, décimo terceiro trabalho do Soulfly, reafirma a conexão familiar e artística de Max, contando com a produção de seu filho Zyon Cavalera e participações de músicos próximos ao seu círculo criativo. Ao mesmo tempo, turnês recentes mostram que a energia humana no palco segue insubstituível, mesmo em tempos de avanços tecnológicos acelerados.
Tecnologia avança, mas a paixão continua humana
Ao comentar sobre o futuro, Max Cavalera deixa claro que a discussão sobre inteligência artificial está longe de terminar. Para ele, enquanto algoritmos evoluem, sentimentos, paixão e identidade continuam sendo atributos exclusivamente humanos — e são justamente esses elementos que mantêm a música viva, relevante e transformadora.
“Esse é um dos meus debates com as pessoas sobre toda essa coisa de inteligência artificial. Para mim, isso é exatamente o que a IA não consegue fazer. Você não pode simplesmente pegar pessoas como eu e o Dino Cazares, ou eu e o Chino Moreno, ou eu e o Tom Araya, e achar que vai sair uma música legal disso. A inteligência artificial nunca vai conseguir fazer isso. E nunca vai conseguir. Ela vai criar uma cópia falsa, uma espécie de xerox, mas não é a mesma coisa. Eu não me importo com o que as pessoas dizem. Não é igual, cara, e nunca será.
Minha esperança é que a gente consiga coexistir com isso; esse é o meu desejo. Porque eu acho que algumas coisas podem ser boas, se forem feitas da maneira certa. Acredito que vamos aprender a coexistir com essa tecnologia de inteligência artificial e ver para onde isso vai nos levar. Mas a alma da pessoa, isso é algo único. O seu coração, a sua paixão, isso é humano, cara.” (Max Cavalera)
Fonte: Munfometalbr.com
Um comentário:
Eu tambem nao suporto IA, nem em imagem nem tão pouco na música, muito artificial, a arte e muito mais que isso
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